Mulher assassina bebê de um mês motivada por ciúmes

Por que quem diz que ama pode matar? Especialistas do mundo todo tentam achar a resposta. Entenda

Me chamou atenção o excesso de notícias nos últimos dias sobre mortes ocasionadas por ciúmes.

Uma que impressionou aconteceu na madrugada do último sábado quando uma mulher de 41 anos, que não teve seu nome revelado, foi presa em flagrante acusada de matar um bebê de apenas um mês no distrito de Posto da Mata, zona rural de Nova Viçosa, no sul da Bahia.

De acordo com a Polícia Civil da Bahia ela afogou o recém-nascido em um reservatório porque sentiu ciúmes do namorado. O que aconteceu foi o seguinte: ela havia sugerido ao parceiro para que dormissem juntos, mas ele falou que não poderia porque estaria com o filho naquela noite. Descontrolada após a negativa, a mulher matou a criança.

Outra notícia que ganhou destaque na mídia foi a da modelo russa, Lilia Sudakova, de 26 anos, que esfaqueou o marido, Sergey Popov, de 28 anos, após uma briga. Ele teria levado uma mulher que conheceu em um bar e exigiu que Lilia cozinhasse para eles. Indignada e com ciúmes ela perdeu o controle e o atingiu com uma faca direto no coração.

A mãe da modelo disse que Lilia era vítima de violência doméstica. O casal estava junto há quatro anos. Caso ela seja condenada, a modelo pode pegar até 15 anos de prisão

A mãe da modelo disse que Lilia era vítima de violência doméstica. O casal estava junto há quatro anos. Caso ela seja condenada, a modelo pode pegar até 15 anos de prisão

Irina Grishina / Mash

Após o esfaqueamento, a modelo chegou a chamar a ambulância (o que demonstra um possível arrependimento), mas ele morreu no dia seguinte. Ela confessou à polícia que o assassinou por ciúmes.

Quem ama mata?

Histórias como essas, de pessoas que aparentemente “se amavam”, casais, pais e filhos, irmãos, que terminam de forma trágica sempre despertaram a curiosidade das pessoas e, inclusive, dos especialistas.

O que todos buscam entender é, como um sentimento tão bonito pode se transformar em um combustível para o ódio? Segundo estudiosos do tema, isso se torna possível quando há a perda do controle emocional.
 

Algumas características são encontradas em pessoas que cometem crimes passionais, como insegurança excessiva, egoísmo e transtornos mentais

Algumas características são encontradas em pessoas que cometem crimes passionais, como insegurança excessiva, egoísmo e transtornos mentais

Geralt/Pixabay

Um detalhe é que psicólogos e psiquiatras constatam que qualquer um pode matar se não vigiar suas emoções e reações, isso inclui eu e você. Por isso, dificilmente o crime passional é planejado.

Situações evitáveis

É claro que quando o assunto é vida amorosa é preciso entender que há muitos problemas que podem ser evitados. Porque diversos motivos levam as pessoas a se casarem, mas se o intuito não for o de fazer o outro feliz e formar uma família, as razões estão erradas. E assim, por se casarem com um propósito bagunçado, muitos vivenciam tragédias...

São situações que acontecem todos os dias. Então, um parênteses é que quem não dá atenção e não investe na vida amorosa se torna presa fácil. Evitar o erro é muito mais sábio que ter que repará-lo depois.

Quando as emoções ganham espaço

Mas, fora isso, é preciso falar sobre a forma como lidamos com as nossas emoções, em todas as áreas.

E é aí que entra o “x” da questão. Porque, sair do equilíbrio quando o assunto são os nossos sentimentos é tão fácil quanto sair da dieta quando fazem aquele bolo de chocolate (ou qualquer outro prato) que tanto gostamos.

Me lembro que, na minha adolescência, bastava alguém falar mais alto comigo para meu queixo tremer e eu segurar o choro. Quantas vezes chorei por bobagens... Quando ouvia um “não” dos meus pais na infância e adolescência me trancava por horas no quarto (hoje agradeço por todas essas negativas).

O que quero dizer é que é muito fácil nos deixar levar pelo que sentimos, sejam esses sentimentos positivos ou negativos. Nem sempre o extremo acontece, como um assassinato, mas se não houver o controle ele pode sim vir a acontecer.

Você já deve ter sido levado pelas emoções em algum momento da sua vida. As vezes você, depois de uma situação de injustiça ou ciúmes, já quis gritar com alguém, chutar objetos ou sair andando sem rumo por causa do nervosismo.

Extraindo o lado bom dos sentimentos

Basta ser humano para sentir. Mas, não importa o motivo, não há justificativa para externar os sentimentos de forma negativa. No entanto, o que fazer para vencer a fúria e evitar as consequências negativas? Muitos não sabem, mas sentimentos ruins podem se transformar em reações positivas.

É muito importante saber diferenciar a raiva negativa da positiva e controlar os sentimentos e reações

É muito importante saber diferenciar a raiva negativa da positiva e controlar os sentimentos e reações

Contábeis

Para evitar de fato um “descontrole emocional” a razão é a melhor resposta. É importante entender melhor o que está acontecendo e como se pode lidar com aquilo de forma racional, e não passional.

Isso é possível, afinal de contas essa é uma das características que diferencia os seres humanos dos animais irracionais.

Outro ponto importante é saber como direcionar os sentimentos. Lembro de uma pessoa que conheci que havia sido menosprezada por sua condição social e pelo fato de não ter um diploma. A raiva que sentiu por ter sido diminuída lhe deu o impulso que faltava para seguir seu caminho com determinação. 

Quando nos inconformamos com alguma coisa, como a pobreza ou a ignorância, por exemplo, esse sentimento pode levar à superação ou contribuir para que façamos algo que ajude a melhorar esse cenário.

Se agora você está com vontade de responder a uma acusação, de agredir, de fazer algo porque foi provocado e ferido, coloque em prática esse pensamento.

Outro dia li uma mensagem que caracteriza bem o que penso: “não prometa nada quando estiver feliz, não responda nada quando estiver irritado, não decida nada quando estiver triste”.

Infelizmente não localizei o autor, mas ela expressa a importância de não agirmos pelo que sentimos ou vemos. Estamos vivendo um tempo que revela a urgência de dar atenção à vida emocional. É preciso sacrificar as emoções quando elas tentam dominar nossas reações. Fazendo isso conquistamos uma vida melhor e mais equilibrada.

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