Mulher é presa após bater na mãe, de 83 anos. Veja vídeo

Neta gravou o momento da agressão, mas a suspeita foi liberada após pagar fiança

Uma mulher, de 57 anos, foi presa no último dia 4 após agredir com um tapa no rosto a própria mãe, de 83 anos, em Lucélia, no interior de SP.

Um vídeo do momento da agressão foi gravado pela neta da vítima, de 35 anos (que também sofreu ataques). Foi feita uma denúncia e, diante dos fatos, a mulher foi presa em flagrante, mas, após pagar uma fiança no valor de um salário mínimo, R$ 1.045, a agressora foi liberada. Veja o vídeo abaixo:

Em nome de todos os idosos

Esse caso está repercutindo muito nas redes sociais e está causando muita revolta. 

Infelizmente, atitudes como essa são comuns, sobretudo na pandemia. Segundo levantamento do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, as denúncias de casos de violência contra a pessoa idosa cresceram cinco vezes na quarentena, saltaram de 3 mil, em março, para 17 mil, em maio. 

No ano passado, 48,5 mil registros de violência contra os idosos foram recebidos pelo Disque 100, em todo o Brasil.

Em momento de descontrole filha agride a própria mãe

Em momento de descontrole filha agride a própria mãe

Reprodução

O mais triste é que a maioria dos casos de agressão (física, verbal e emocional) contra os idosos acontecem nos lares. Muitas pessoas não têm respeito, empatia e paciência de olhar para uma pessoa que está na melhor idade e ver que ela está em outra fase da vida. 

É curioso que antigamente os valores eram outros. Em diferentes culturas, era comum e obrigatório pedir às pessoas mais velhas, por exemplo, autorização para se retirar de um local e até mesmo para ir dormir. O respeito para com os mais velhos ia além de considerar a idade, como também a experiência de vida deles.

A sociedade atual não sabe lidar com o fim da vida. Já fui à casas de repouso e conheci senhores e senhoras que tanto se doaram aos filhos e netos, mas que recebiam uma visita por mês (quando recebiam). Também há casos onde os idosos moram com os familiares e são excluídos do convívio, tratados como se não existissem.

Dados do Disque 100, serviço de denúncias da ouvidoria da Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal (SDH), mostram que mais da metade dos crimes de abuso econômico de idosos envolve os parentes mais próximos.

São aquelas pessoas que fazem empréstimos no nome deles, entre outras atitudes, se aproveitando da facilidade de acesso para se apropriar ou desviar os bens ou rendimentos daqueles idosos. O que também é considerado crime segundo o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003).

É preciso que haja consciência e mudança de comportamento

Nestes quase 17 anos desde que o Estatuto do Idoso foi criado, a sociedade evoluiu em relação a questão do respeito para com os direitos. Hoje em dia há vagas de estacionamento exclusivas, atendimento preferencial, assentos reservados em transporte público e pena duras – passíveis de detenção – para quem abandonar o idoso em hospitais, casas de saúde ou estabelecimentos similares, ou não prover suas necessidades básicas.

Mas, precisar de um Estatuto para incentivar o respeito chega a ser lamentável. Mais triste ainda é ver que esses deveres não são, na prática, exercidos por muitos.

O respeito não envelhece e não sai de moda. É um dever e um direito

O respeito não envelhece e não sai de moda. É um dever e um direito

Reprodução

Ou seja, o respeito não deveria existir só por causa da força de uma lei, mas por consciência, por amor. 

Porque quem ama cuida e quem cuida deixa um exemplo, um legado para as próximas gerações. Só assim se constrói uma sociedade melhor, digna e de valores.

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