Revelação da cantora Walkyria Santos e um recado para todos os haters

O filho da artista, Lucas Santos, de apenas 16 anos de idade, foi encontrado morto e ela fez um apelo emocionante para que as pessoas deixem de propagar mensagens de ódio na internet

Como não se entristecer com uma morte precoce, em que os pais precisam enterrar os filhos? Impossível. Não é a ordem natural da vida, é doloroso. Quando eles se vão, o que resta é o sofrimento por terem de sepultar quem viram nascer e crescer.

Penso que somente pessoas que não se importam com o próximo não ligam quando se deparam com notícias do tipo. O que me faz lembrar dos haters.

Mais uma vez é preciso falar desse tipo de gente que não tem a mínima noção do significado da palavra respeito. A cantora de forró Walkyria Santos, encontrou o filho de 16 anos, Lucas Santos, morto dentro da própria casa e, na terça-feira, fez um desabafo emocionante em sua rede social a respeito da irresponsabilidade dos internautas que xingam e criticam a torto e a direito, por pura maldade.

Após morte do filho, cantora Walkyria Santos faz desabafo emocionante

Após morte do filho, cantora Walkyria Santos faz desabafo emocionante

Reprodução

"Hoje, dia 3 de agosto de 2021, perdi meu filho, uma dor que só quem sente vai entender. Ele já tinha problemas emocionais, tinha ido a psicólogos. Depois que postou um vídeo no TikTok, uma brincadeira de adolescente com os amigos, achou que as pessoas fossem achar engraçado, mas não acharam. Como sempre as pessoas destilaram ódio na internet, deixaram comentários maldosos e fizeram com que meu filho chegasse nesse ponto. Meu filho acabou tirando a própria vida. Eu estou desolada, acabada, sem chão. Essa internet está doente. Como mãe eu peço: vigiem".

Walkyria é ex-vocalista da banda Magníficos e, além de Lucas, é mãe de Bruno, de 20 anos, e de Maria Flor, de 10 anos.

Maldade sem precedentes

O depoimento comovente, infelizmente, faz parte de uma cultura de ódio que se instalou na sociedade e que ganhou força com a velocidade que a internet trouxe para a comunicação.

Hoje em dia basta ter uma rede social para ser alvo dos haters. E para lidar com as ofensas é preciso ter um emocional forte. Quando iniciei este blog, sabia que receberia críticas e, de fato, elas vieram. Muitas construtivas, alguns elogios, mas, sobretudo, mensagens de ódio, daquelas que as pessoas enviam com o intuito de ofender, humilhar e diminuir.

O que me faz pensar: Por que fazer isso com o próximo? Se não gosta, não acesse, não curta, não siga. É simples. Porém, há pessoas que insistem em propagar o mal que carregam dentro de si.

"Os haters costumam ser pessoas amargas que não teriam coragem de dizer pessoalmente o que escrevem atrás das telas. São pessoas que agem com covardia, apenas para ferir e destruir. Assim, esses comentários podem prejudicar de vários modos, desde gerar uma instabilidade emocional até chegar a níveis extremos, como fazer a vítima pensar em suicídio", observa a psicóloga Claudia Gindre.

Lucas teria tirado a própria vida após receber comentários de ódio em vídeo publicado na rede social TikTok

Lucas teria tirado a própria vida após receber comentários de ódio em vídeo publicado na rede social TikTok

Reprodução / Instagram

Como se blindar antes que seja tarde?

A forma que encontrei para lidar com os ataques que recebo é assimilar o que edifica e ignorar o que tem o intuito de diminuir. A questão é que muitos, sobretudo os adolescentes, enfrentam dificuldades para conseguir fazer isso, porque buscam aceitação.

"Porque compõe um dos traços característicos da adolescência. O jovem normalmente anseia pela aprovação e as redes são apenas mais um espaço onde essa busca acontece. Entretanto, a velocidade dos acontecimentos no universo online potencializa os efeitos da aceitação ou da rejeição. Do mesmo modo que os comentários elogiosos podem trazer um contentamento exacerbado, os comentários negativos podem destruir a imagem que o adolescente está construindo a respeito de si e trazer consequências trágicas, como aconteceu com o Lucas", acrescenta a especialista.

Assim como ele, muitos jovens apresentam quadros depressivos, transtornos de imagem, ansiedade e podem atentar contra a própria vida quando são motivados por mensagens ofensivas. "Os haters têm transformado a internet em um verdadeiro tribunal, com júri, juízes e executores. Precisamos localizar as pessoas que fazem essas agressões e acionar as leis que protegem as vítimas. Somente responsabilizando cada um por seus atos é que conseguiremos inibir ações como essas", afirma Claudia Gindre.

Além disso, precisamos ensinar os adolescentes a enxergar a internet e as redes sociais de forma realista, com menos romantismo. "Adolescentes e adultos precisam saber que são apenas uma peça de uma engrenagem muito maior. Há muito dinheiro envolvido no tempo que os usuários permanecem nas redes... E quanto mais as pessoas se envolvem nessas plataformas mais as empresas ganham dinheiro com isso. Nossa sociedade trilhou um caminho ruim e precisamos encontrar o caminho de volta", conclui a psicóloga.

Os haters costumam pensar que jamais serão punidos pelas ofensas, por isso é preciso denunciar

Os haters costumam pensar que jamais serão punidos pelas ofensas, por isso é preciso denunciar

BBC BRASIL

Como denunciar

Existe um limite entre a liberdade de expressão e as agressões online. Por isso, a partir do momento que um comentário atinge a privacidade, a honra, a imagem ou a intimidade, o caso muda de figura e pode resultar em um processo judicial ou criminal.

Assim, se você receber algum tipo de ofensa, pode denunciar dentro da própria rede social ou ainda reunir provas e processar o autor da mensagem. É possível, inclusive, identificar aqueles perfis fakes por meio de ações judiciais, isso porque todo aparelho eletrônico possui o denominado IP, que corresponde ao endereço eletrônico.

O SaferNet Brasil também recebe denúncias sobre crimes virtuais. Quando denunciamos nos protegemos e incentivamos o próximo a fazer o mesmo. 

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