Sem comprovante de vacinação, idosa é barrada em lanchonete famosa

Caso aconteceu em Toronto, no Canadá, e viralizou na web. Atitude gera reflexão sobre obrigatoriedade para acessar locais coletivos

Um vídeo de uma senhora sendo impedida de comer em uma lanchonete da rede McDonald's de Toronto, no Canadá, viralizou na internet. O caso aconteceu na quarta-feira (22) e gerou muita polêmica.

Na imagem, a funcionária pede para ver um documento que comprove a vacinação da mulher, uma vez que as empresas locais agora são obrigadas por lei a fazerem isso. Ela mostra o que parece ser um cartão de saúde, mas a atendente recusa e insiste: "Tudo bem, mas preciso ver sua vacina".

Após isso, ela se vira para o homem que está filmando e pede para que ele pare, na sequência a idosa diz que está vacinada. "Eu tenho minha vacina, você pode chamar meu médico!"

Senhora diz que está vacinada, mas, por não ter comprovante, é impedida de comer em lanchonete

Senhora diz que está vacinada, mas, por não ter comprovante, é impedida de comer em lanchonete

Reprodução

O autor do vídeo, Emad Guirguis, revelou que a senhora acabou sendo impedida de jantar dentro do local.

Muitos acharam a atitude injusta e disseram que, assim como ela, outros idosos enfrentam dificuldades para conseguir acessar a internet ou então imprimir o próprio comprovante, caso tenham perdido, e não devem ser excluídos por isso. Usuários chamaram os funcionários da empresa de "nazistas" e repreenderam a lanchonete por obrigar os clientes a mostrarem seus "papéis" para comprar comida.

Proteção ou imposição?

O chamado "passaporte da vacina" já é obrigatório em diversos países e o tema divide opiniões. Há quem pense que essa é uma forma eficaz para impedir que o vírus continue circulando ou então que não passa de uma medida de controle, de discriminação e de ofensa aos direitos humanos.

Sou a favor da vacina, mas sou contra qualquer obrigatoriedade. E no que diz respeito a essa exigência, acredito ser prematuro agir de forma agressiva com aqueles que ainda não se vacinaram ou estão sem os seus comprovantes, principalmente porque ainda não há consenso entre especialistas da área a respeito da legitimidade dessa ação. 

No Brasil

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, os prefeitos publicaram decretos que exigem o tal "passaporte da vacina". Somente com ele a pessoa poderá acessar ambientes fechados ou coletivos, como bares, restaurantes, academias, cinemas, entre outros.

No Rio de Janeiro, até mesmo para fazer cirurgias eletivas e para ter acesso ao programa social "Cartão Família Carioca", destinado a famílias de baixa renda, é preciso ter o comprovante. E essa deve se tornar, em breve, uma realidade em outras capitais do país. 

Países já exigem comprovação de vacinação para entrada em ambientes coletivos

Países já exigem comprovação de vacinação para entrada em ambientes coletivos

Reprodução

Diante do atual cenário, o que questiono é: se ainda não temos evidências científicas unânimes que comprovem que essa restrição é, de fato, eficaz, por que agir de forma radical?

A meu ver, esse passaporte, se implementado de forma irresponsável, além de promover o constrangimento, pode passar a imagem errada de que aqueles que estão vacinados não transmitem a doença, o que é mentira. Estudos relatam que os imunizantes visam reduzir a gravidade do efeito da covid-19 no organismo, mas não bloqueiam sua transmissão.

Assim, levanta-se novas questões: fazer isso poderá criar ambientes propícios para novos surtos? A forma como essa fiscalização vem sendo impementada no Brasil - e também ao redor do mundo - é correta e justa?

Não podemos ser vencidos pelo medo, precisamos questionar e buscar respostas concretas.

A maioria quer vencer a doença e está disposta a se vacinar. Mas, não é por meio da obrigação do "passaporte da vacina" que aqueles que estão em dúvida serão convencidos. Na verdade, está acontecendo o contrário, já estamos presenciando diversas manifestações daqueles que se posicionam contra a vacina. 

Por isso, o importante mesmo seria investir esforços para aumentar a informação e as campanhas para, assim, conscientizar a população.

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