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Agronegócio tem dívida recorde e inadimplência deve crescer ainda mais

Novas normas do Banco Central restringem renegociação de dívidas e aumenta o número de produtores inadimplentes nos próximos meses

Trilha do Agro|Valter Puga JrOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Agronegócio brasileiro enfrenta dívida recorde e aumento da inadimplência entre produtores rurais.
  • Novas normas do Banco Central tornam a renegociação de dívidas mais rigorosa, dificultando o acesso ao crédito.
  • Inadimplência no Banco do Brasil saltou de menos de 1% em 2023 para quase 4% em 2024, especialmente na região Centro-Oeste e Sul.
  • Com juros elevados e preços das commodities em queda, especialistas alertam sobre a necessidade de desalavancagem entre produtores.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Brasil tem aumento acentuado do endividamento e da inadimplência dos produtores rurais REPRODUÇÃO/RECORD NEWS - 13.08.2025

As renegociações constantes das dívidas, as novas formas de financiamento via mercado de capitais e, mais recentemente, o “tarifaço” imposto pelo governo dos EUA aos produtos agropecuários exportados pelo Brasil encobriram – ou pelo menos embaçaram - o aumento acentuado do endividamento e da inadimplência dos produtores rurais e das empresas do agro no país.

Diante disso, o Banco Central implementou novas orientações no final do primeiro semestre, ampliando exigências para renegociação das dívidas rurais, o que deve dificultar renegociações, elevando o número de produtores e empresas para a inadimplência.

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Foram introduzidas mudanças no Manual de Crédito Rural, o MCR. Para renegociação de dívidas, as instituições financeiras devem agora comprovar se o devedor tem um problema de caixa momentânea e tem condições de pagar a dívida ao longo do tempo.

“É uma alteração na avaliação de risco. A instituição financeira analisará aquilo que o mutuário poderá enfrentar mais à frente, subjetivamente, como aumento de tarifas, custos de transporte, guerras, eventos climáticos, preços das commodities”, alerta Ademiro Vian, economista e professor da FGV, especialista em crédito rural.

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Renegociação já exige do devedor comprovar dificuldade na comercialização, ou de frustração de safras e de ocorrências prejudiciais ao desenvolvimento das explorações. Ou ainda, comprovar que houve perdas causadas por fatores climáticos que levaram a aumento de dívidas anteriores e impediram pagamento de dívida junto ao Sistema Nacional de Crédito Rural. Mas não para nisso.

Bem mais restrita, o MCR indica que “a renegociação fica condicionada, ainda, a que a instituição financeira analise o conjunto das atividades e a capacidade econômica do mutuário, incluindo bens de sua propriedade que possam ser comercializados ou recursos financeiros oriundos de outras atividades que possam ser utilizados para pagamento das dívidas a serem prorrogadas, inclusive para a quitação das parcelas vincendas ao longo do prazo concedido para a renegociação”, como consta da resolução 5.229, do Conselho Monetário Nacional.

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“A análise envolverá outras atividades do mutuário, como operações de barter, CPRs, títulos no mercado de capitais, compromissos com bancos, cooperativas, tradings e distribuidores de insumos...”, diz Vian.

“Seguindo as regras, obter prorrogações de prazo e outras facilidades ficará mais difícil e o índice de inadimplentes crescerá, limitando o crédito para operações futuras”, explica.

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Atrasos do agro prejudicam lucro de banco

Maior financiador do agronegócio do país – desembolsou cerca de R$ 100 bilhões ao setor em 2024 –, o Banco do Brasil apontou na semana passada que setor deixou de recolher R$ 12,73 bilhões, considerando atrasos superiores a três meses, o que reduziu o lucro do banco no segundo trimestre.

“É o maior nível de inadimplência já visto no agro na história do Banco do Brasil”, disse Tarciana Medeiros, presidente da instituição.

Com mais de R$ 404 bilhões em carteira no agro, o BB viu o índice de inadimplência crescer rapidamente de 2023 para cá. De menos de 1% em 2023, a inadimplência saltou para quase 2,5% em 2024 e já se aproxima de 4%, metade nas regiões Centro-Oeste e no Sul, concentrada em produtores de milho, sojicultores e pecuaristas.

Banqueiros em alerta

O banco Santander admite que a inadimplência tende a crescer nos próximos meses. Com mais de R$ 22 bilhões concedidos ao setor, desde o início deste ano, a instituição tem emitido alertas.

Durante conversa com jornalistas em maio, na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), o diretor de agro do banco, Carlos Aguiar, ressaltava que com juros na casa dos 20% ao ano e preços das commodities em queda, o produtor rural teria dificuldade para liquidar as dívidas.

Pouco mais de 60 dias depois, durante o Congresso da Andav, a associação nacional dos distribuidores e revendas, em São Paulo, Aguiar foi incisivo: “o produtor precisa desalavancar”. Ou seja, vender alguns ativos, sejam imóveis e outros bens, para sair desse endividamento.

Até o final de 2023, o agronegócio brasileiro desfrutou de demanda crescente, preços em alta e custos relativamente bons. Produtores e empresas do setor agro avançaram nos investimentos e demandaram crédito.

“Houve exagero em muitos casos. Compras de terras e troca de máquinas às vezes desnecessárias. Produtores foram atrás de recursos no mercado de capitais e, de certo modo, sem preparo”, lembra Ademiro Vian, que também é produtor rural.

Para ele, que nos últimos 30 anos acompanha a evolução do crédito rural, é aconselhável mesmo desfazer do que é possível e pagar as contas, pois com os juros atuais, a rentabilidade do agro não remunera o custo do recurso obtido no mercado.

No Itaú, banco que tem cerca de R$ 130 bilhões no setor, a diretoria não admite alta acentuada de inadimplência e argumenta que a carteira é “equilibrada, com boas garantias”, como informou a jornalistas.

A direção do Bradesco, com quase R$ 80 bilhões nesse segmento, também argumenta que os atrasos nos pagamentos das linhas concedidas ao agro estão sob rigoroso controle.

Para dirigentes do Itaú e do Bradesco, após esse período difícil – já passou por outros - o setor retomará sua lucratividade e pujança. Mas é bom não esquecer que, desta vez, o governo federal dispõe de poucos recursos.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Qual é a situação atual do endividamento no agronegócio brasileiro?

O agronegócio brasileiro enfrenta um nível recorde de endividamento e inadimplência, com a situação se agravando devido a novas normas do Banco Central que dificultam a renegociação de dívidas. O Banco do Brasil, maior financiador do setor, reportou que o agronegócio deixou de recolher R$ 12,73 bilhões em dívidas com atrasos superiores a três meses, o que impactou seu lucro.

Quais mudanças foram implementadas pelo Banco Central?

O Banco Central introduziu novas orientações que aumentam as exigências para a renegociação de dívidas rurais. As instituições financeiras agora precisam comprovar que o devedor enfrenta problemas momentâneos de caixa e que tem condições de pagar a dívida ao longo do tempo. Além disso, a análise deve considerar a capacidade econômica do mutuário e suas atividades financeiras.

Como a inadimplência tem se comportado nos últimos anos?

A inadimplência no agronegócio cresceu de menos de 1% em 2023 para quase 2,5% em 2024, com previsão de chegar a 4%. Esse aumento é concentrado em regiões como o Centro-Oeste e o Sul, afetando principalmente produtores de milho, sojicultores e pecuaristas.

Quais são as perspectivas para o futuro do crédito no agronegócio?

Os bancos, como o Santander, alertam que a inadimplência deve continuar a crescer nos próximos meses, especialmente com a alta dos juros e a queda nos preços das commodities. Especialistas recomendam que os produtores considerem vender ativos para reduzir o endividamento.

O que os especialistas dizem sobre a gestão de dívidas no setor?

Ademiro Vian, economista e produtor rural, sugere que os produtores devem se desfazer de ativos desnecessários e focar em pagar suas dívidas, já que a rentabilidade atual do agronegócio não cobre os custos do crédito obtido no mercado.

Como os bancos estão reagindo a essa situação?

Bancos como Itaú e Bradesco afirmam que suas carteiras estão equilibradas e sob controle rigoroso, embora reconheçam a dificuldade atual. Eles acreditam que, após esse período desafiador, o setor poderá recuperar sua lucratividade.

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