Randolfe diz que Temer terá dificuldades para manter coalizão
Senador da Rede afirma que sociedade brasileira pede o fim do toma-lá-dá-cá

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou, nesta quarta-feira (11), ter dúvidas sobre se Michel Temer terá condições de manter o apoio dos parlamentares que hoje votam pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff.
— Acho que ele tem isso [apoio dos parlamentares], mas eu não sei se ele manterá isso. Porque há na sociedade brasileira um ambiente por mudanças e essas mudanças condenam a velha política, condenam o toma-lá-dá-cá. E nós estamos assistindo no governo Temer o excesso de fisiologismo. Mais fisiologismo que nos governos do PT anteriormente e do que nos governos de Fernando Henrique e José Sarney.
O senador pediu que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) julgue o mais rápido possível a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, o que poderia provocar novas eleições no País.
— Não há nada que justifique o atraso.
Apesar de sua correligionária Marina Silva aparecer em primeiro lugar nas pesquisas, ele afirmou que o partido tem outros motivos para defender novas elelições.
— Marina começou a defender novas eleição quando ela não era primeira nas pesquisas. Mesmo ela sendo primeira colocada, está empatada tecnicamente com outros dois [possíveis candidatos]. E o nosso partido contará com exíguo tempo na televisão. Então, as condições são desfavoráveis. Defendemos novas eleições não porque podemos conquistar o poder político, mas porque é a única alternativa viável.
Ele afirmou que, em caso de novo pleito, a Rede buscará um novo tipo de aliança política.
— Tendo novas eleições, a Rede tem candidata, que é a Marina. E vamos procurar fazer uma aliança programática, e não uma aliança pragmática como tem sido a lógica da velha política, realizada pelo PT, pelo PMDB e pelo PSDB.
Randolfe declarou que votará contra o impeachment.
— Meu voto é não. Eu construí minha trajetória política denunciando as alianças do PT, ora quando estava no PT, depois no PSOL e agora na Rede. Não teria lógica eu votar para que as alianças assumissem o poder em definitivo.
Eunício Oliveira
Já o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) defendeu o provável governo Temer, refutando a ideia de que ele possa acabar com programas sociais. Para Oliveira, o Nordeste deve ter prioridade na gestão peemedebista.
— Eu não tenho dúvida de que o nosso querido Ceará e o Nordeste terão prioridade por serem os Estados mais pobres da federação brasileira e obviamente os que sofrem mais as consequências de um regime econômico ruim para todo País.
Ele declarou que votará a favor do afastamento de Dilma Rousseff.
— Nem eu, nem nenhum cidadão brasileiro, seja ele o presidente da República ou o mais humildes dos brasileiros, está imune a uma investigação. Ninguém está acima da lei, ninguém está acima da Constituição. Por isso, votaremos favoravelmente.
