Conheça as personalidades que marcaram e ainda ajudam a escrever a história da zona oeste do Rio
Do legado de Zeca do Trombone aos personagens do cotidiano, Campo Grande e Inhoaíba compartilham memórias, tradições e espaços que mantêm viva a história da região
Rio de Janeiro|Do R7

Muita gente associa Inhoaíba a Campo Grande. Os bairros são vizinhos, dividem importantes vias de acesso e compartilham uma longa história de desenvolvimento da zona oeste. Mas cada um preserva características próprias e personagens que ajudam a contar a trajetória de uma das regiões mais populosas do país.
A história de Campo Grande, por exemplo, começa muito antes da urbanização. Durante o período colonial, a região ocupava uma área ainda maior que a atual e teve papel fundamental no abastecimento do Rio de Janeiro. Grandes fazendas, engenhos e áreas de produção agrícola movimentavam a economia local e deixaram marcas que permanecem até hoje nos nomes de ruas e localidades.
Segundo o jornalista e pesquisador André Mansur, a região era responsável por boa parte da produção agrícola que abastecia a cidade.
“Tudo o que chamavam de zona rural no passado era o que abastecia o Rio de Janeiro, de agricultura e de pecuária. Aqui teve muitos engenhos de cana-de-açúcar, de café, mas também uma agricultura muito diversificada.”

Essas origens ajudaram a formar a identidade da região, que, ao longo dos anos, se transformou em um importante polo comercial e cultural da zona oeste.
Mas a história dos bairros também é contada por seus personagens.
Um dos mais importantes é Zeca do Trombone, músico nascido em Campo Grande e reconhecido como um dos maiores instrumentistas do país. Sua trajetória começou ainda jovem, quando passou pelo antigo Instituto Ana Gonzaga, localizado na área onde hoje funciona o Parque Oeste Ana Gonzaga, em Inhoaíba. Mais tarde, o talento o levaria a se apresentar com grandes nomes da música brasileira.

Para a jornalista e idealizadora do projeto Museu de Campo Grande, Silvia Fernandes, preservar a memória dessas personalidades é fundamental para compreender a história da região.
“Existem personagens no bairro que contam histórias desse bairro que não temos acesso, que não estão escritas. Então essa memória é muito importante.”

Ela destaca ainda a homenagem prestada ao músico em um dos espaços mais novos da zona oeste.
“Esse palco é muito importante pra gente porque leva o nome de um grande músico, o Zeca do Trombone. Ele foi um menino que esteve aqui no Ana Gonzaga, começou a fazer aulas de música e não parou mais. Foi de Campo Grande para o mundo.”
A ligação entre passado e presente também pode ser vista na vida cultural da região. Em bares, rodas de samba e encontros de moradores, a tradição musical segue viva.
É o caso do grupo “Pegada de Cria”, formado por amigos que cresceram juntos em Campo Grande e transformaram a amizade em música.
“Somos cria de Campo Grande. Nascidos e criados aqui. Estamos sempre nas rodas de samba, nos barzinhos, nas casas de show, fazendo esse pagodinho maravilhoso”, conta Nego Aldo.

O nome da banda resume a história do grupo.
“O nome veio justamente porque todo mundo é amigo há muitos anos, desde a época de escola, de campinho de futebol. A gente foi crescendo e aprendendo a tocar junto.”
Outro personagem conhecido pelos moradores é Pelé, dono de um dos bares mais tradicionais da região. Nascido e criado na região, ele acompanha há décadas o movimento do bairro e se tornou uma figura querida pelos frequentadores.
“É muito bom aqui. O ambiente é familiar, não tem bagunça. Aqui é minha vida. Isso aqui é tradição mesmo de Campo Grande.”
Enquanto personagens ajudam a preservar a memória local, novos espaços surgem para escrever os próximos capítulos dessa história. Em Inhoaíba, o Parque Oeste Ana Gonzaga tornou-se um dos principais pontos de lazer da Zona Oeste, reunindo esporte, cultura e convivência em uma área de mais de 200 mil metros quadrados. O espaço abriga, inclusive, o palco batizado em homenagem a Zeca do Trombone, criando uma conexão simbólica entre diferentes gerações da região.

No próximo sábado (31), o parque também será palco de mais uma edição do evento Record nos Parques, que chega à sua quarta edição, levando mais uma vez atividades gratuitas, prestação de serviços, atrações culturais e shows para os moradores.
A festa será embalada por grandes nomes do samba e do pagode. O palco recebe o grupo Fundo de Quintal, referência e patrimônio do samba brasileiro, além do Clareou e do Pagodelas, que prometem colocar o público para cantar, dançar e celebrar em uma grande roda de samba ao ar livre.
A iniciativa é realizada pela RECORD Rio, em parceria com a Prefeitura do Rio, a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, o Sesc e o Senac, reunindo lazer e cidadania em um ambiente pensado para toda a família.
Entre lembranças do passado e transformações do presente, Campo Grande e Inhoaíba seguem unidos por histórias que atravessam gerações. Histórias de artistas, comerciantes, músicos e moradores que ajudam a manter viva a identidade da Zona Oeste carioca.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp















