Corregedoria Geral da Polícia Civil passará a comandar investigações dos homicídios no Rola
Pedido foi feito pelo Ministério Público após divulgação de imagens de policiais alterando local do crime
Rio de Janeiro|Do R7
O MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) pediu para que o inquérito da operação comandada pela CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais) na favela do Rola, em Santa Cruz, zona oeste do Rio, ocorrida em agosto de 2012, fosse transferido para a Corregedoria Geral da Polícia Civil. Hoje, as investigações que apuram a morte de cinco pessoas, na qual duas delas não tinham passagem pela polícia, estão na Delegacia de Santa Cruz (36ª DP).
O pedido veio depois do MP devolver nesta terça-feira (14) o inquérito feito pela Polícia Civil sobre o caso. Segundo o órgão, já foi requisitado à corregedoria que realize novas investigações para complementar informações ausentes no primeiro documento entregue. Segundo o órgão, foi estipulado um prazo de 30 dias para o cumprimento das medidas.
A iniciativa de apurar o confronto após nove meses da ação foi tomada depois que um vídeo da operação filmado pelos próprios agentes e divulgado no sábado (11) pelo jornal Extra mostrar policiais alterando a localização de corpos na cena do confronto, que terminou com cinco mortos. Há indícios de que as imagens só foram divulgadas por causa de uma disputa entre policiais que participaram da ação.
Na segunda-feira (13), a chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, identificou os cinco mortos na ação. Segundo a delegada, duas das cinco vítimas não tinham antecedentes criminais.
A identificação veio após Martha transferir para a Corregedoria Interna da Polícia Civil a investigação em que há hipótese de alteração no cenário do confronto entre agentes e traficantes daquela comunidade, na qual resultou nos cinco homicídios. De acordo com a delegada, será criado um protocolo para apurar a conduta dos policiais civis que participaram da ação.
Entenda o caso
Na operação, montada para tentar prender o traficante Diego de Souza, conhecido como DG, os agentes justificaram as mortes como auto de resistência — quando há confronto com a polícia —. Agora, caberá à corregedoria a decisão de afastar ou não os policiais envolvidos na operação durante as investigações.
No vídeo, no entanto, policiais dizem que um dos mortos estava desarmado e carregam seu corpo para o local onde estavam cadáveres armados. Os agentes também dizem que vão socorrer os suspeitos, apesar de terem reconhecido, pouco antes, na filmagem, que estavam mortos.
A Polícia Civil alega que os policiais socorreram os feridos levando-os para os hospitais próximos e acionaram a perícia de forma devida. Quatro pessoas foram presas e a operação, que tinha o objetivo de prender o suposto traficante da região conhecido como DG, apreendeu quatro fuzis, uma espingarda calibre 12, duas pistolas, quatro carregadores, 67 cartuchos, nove quilos de cocaína, 62,9 gramas de crack, 334 gramas de maconha, 42 frascos de solvente e R$ 981 em espécie.















