De terras da Coroa à renovação urbana: a trajetória histórica do bairro de Realengo
Da herança imperial aos novos espaços de cultura e lazer, o bairro acumula histórias de transformação e protagonismo na zona oeste
Rio de Janeiro|Do R7

Poucos bairros do Rio de Janeiro carregam uma história tão rica e diversa quanto Realengo, na zona oeste da cidade. Com origens ligadas à Coroa Portuguesa, o bairro atravessou mais de dois séculos de transformações, reunindo tradições, desenvolvimento urbano, cultura, educação e iniciativas comunitárias que ajudaram a moldar a identidade da região.
A relação de Realengo com a história do Rio começou ainda no início do século 19. Em 1814, dom João VI concedeu parte das terras da região ao Senado da Câmara do Rio de Janeiro. Um ano depois, foi estabelecido o marco simbólico da fundação do bairro, cujo nome faz referência à realeza, como explica o historiador Marcos Carvalho.
“Na Europa, essas áreas eram chamadas de terras realengas, que pertenciam à Coroa. Foi daí que surgiu o nome Realengo. Também existem três rios que descem o Maciço da Pedra Branca e cortam a região. Essas nascentes faziam com que a realeza parasse por aqui durante o trajeto para Santa Cruz”.
Décadas mais tarde, a chegada da estação ferroviária, em 1878, trouxe um novo impulso para o desenvolvimento local. A ligação com outras áreas da cidade facilitou o deslocamento de moradores e contribuiu para o crescimento da região.

Além disso, Realengo passou a concentrar importantes estruturas militares, como o Primeiro Batalhão de Engenheiros, a Fábrica de Cartuchos e a Escola Militar do Realengo, instituições que marcaram profundamente a história do bairro.
Embora a presença da indústria bélica tenha diminuído ao longo do tempo, especialmente após a saída da fábrica de cartuchos na década de 1970, a região continuou construindo novas histórias por meio de seus moradores.

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação é o Espaço Cultural Viaduto de Realengo. Criado em 2013, o local nasceu com a proposta de dar visibilidade a artistas e discussões sociais da zona oeste.
Sob o viaduto, onde antes muitos enxergavam apenas uma área de passagem, surgiram oficinas, apresentações musicais, cineclubes, feiras populares, atividades esportivas e projetos culturais voltados à comunidade.

O bairro acumulou diferentes capítulos ao longo de sua trajetória. Histórias de pessoas, projetos e iniciativas que cresceram lado a lado com Realengo e contribuíram para fortalecer sua identidade.
Um dos maiores símbolos dessa renovação está justamente em uma área que marcou o passado da região. O terreno que durante décadas abrigou a Fábrica de Cartuchos foi transformado no Parque Realengo Susana Naspolini, inaugurado em 2022.

O espaço se tornou uma das principais áreas de lazer da zona oeste, reunindo equipamentos esportivos, áreas verdes, opções de entretenimento e locais voltados para a convivência entre moradores.
Aos 69 anos, Laurinei Soares convive com problemas de saúde como diabetes e hipertensão. Desde que passou a frequentar as atividades físicas oferecidas no Parque Realengo, em abril de 2025, ele percebeu uma melhora significativa na qualidade de vida e no controle da saúde.
“Me sinto muito bem. Minha pressão está controlada. A gente toma remédio, mas a atividade física é fundamental”, afirma.
Morador de Realengo há mais de seis décadas o historiador Marcos, resume o que o parque trouxe para a região.
" Isso aqui transformou Realengo, a visão nossa era essa, transformar Realengo. Realengo estava se tornando um bairro afogado como outro qualquer."
E é nesse cenário que Realengo vai receber mais uma grande celebração.
No dia 29 de agosto, o Parque Realengo será palco do projeto Record nos Parques, iniciativa da RECORD Rio em parceria com a Prefeitura do Rio e o Sesc/Senac.
O evento promete um dia de muita música, diversão, atividades recreativas e serviços gratuitos para toda a família. Além disso, o público poderá acompanhar de perto uma edição especial do programa Rio Bom Demais, que será transmitido ao vivo diretamente do parque.
A proposta é aproximar ainda mais a emissora da população, promovendo lazer, cidadania e entretenimento em um espaço que se tornou símbolo da capacidade de transformação de Realengo.
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