Diário de bordo: usuária de trem relata atrasos e falta de respeito com mulheres no ramal Saracuruna
Estudante Camila Clipes utiliza o transporte para chegar à faculdade
Rio de Janeiro|Do R7

Panes que interrompem a circulação de trens viraram rotina e revoltam passageiros no Rio. A pedido do R7, usuários relataram durante uma semana de setembro suas viagens de ida e volta ao trabalho/escola/faculdade nos ramais Saracuruna, Japeri e Santa Cruz.
Cheiro de urina, desrespeito a mulheres e panes: passageiros relatam ao R7 caos nos trens do Rio
A aluna de Psicologia Camila Clipes, de 19 anos, e moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, diz que o pior é o silêncio da SuperVia em não esclarecer os atrasos nas viagens. Ela é usuária do ramal Saracuruna. A estudante também reclama da falta de respeito dos homens dentro dos vagões das mulheres, aqueles que são separados para o público feminino na hora do rush.
Leia o relato a seguir:
“Esta semana estava 'normal' com os trens, nos horários do rush, bem cheios. No dia 19 de setembro, teve um atraso na circulação, mas não houve explicação para o problema, só diziam que estava com atraso.
Na maioria das vezes, os trens que eu embarquei eram os mais antigos. Os novos são raros, pelo menos no ramal Saracuruna. Por volta das 19h do dia 23 de setembro, uma porta do vagão em que eu estava foi aberta durante uma longa parte da viagem da Central a Caxias.
O vagão feminino nunca é respeitado. Na Central, os guardas até vigiam e impedem que homens entrem, mas a partir de São Cristóvão, as regras já são desrespeitadas.”
Outro lado
Em resposta aos atrasos, superlotação, estações e problemas estruturais, a SuperVia disse que tem trabalhado para ampliar o número de lugares ofertados e viagens realizadas por dia. A empresa informou que, no ano passado, 30 trens novos entraram em circulação. A concessionária disse ter antecipado a compra de mais 20 novas composições, que começarão a circular em fevereiro de 2014. Como parte de seu investimento, o governo também encomendou outras 60 novas composições, que deverão começar a entrar em circulação no próximo ano.
A SuperVia ainda afirmou que o novo sistema de sinalização reduzirá o intervalo entre os trens pela metade.
Sobre a falta de informações em casos de panes e atrasos, a SuperVia disse que mantém a comunicação com os passageiros por meio do CCO (Centro de Controle Operacional).
Diariamente, 570 mil passageiros utilizam o serviço de trens, que possui 102 estações divididas por oito ramais. A concessionária acredita que o transporte é um meio de integração entre as pessoas e, por isso, investiu na campanha de conscientização “Passageiro Sangue Bom”. O objetivo é fazer com que as pessoas cultivem bons hábitos durante as viagens e respeitem os direitos do próximo, tais como o próprio vagão feminino. A SuperVia cumpre a Lei Estadual nº 4.733/06, que determina a disponibilização e identificação de carros para mulheres nos trens nos horários de maior movimento (das 6h às 9h e das 17h às 20h). No entanto, a lei não indica a retirada dos homens por parte dos agentes de segurança da concessionária. As equipes de orientadores e seguranças das estações avisam constantemente o público masculino sobre a exclusividade do uso destes carros e avisos sonoros são veiculados em todas as estações para reiterar a importância de que o vagão feminino seja respeitado no horário estabelecido.
Larissa Kurka, Nayana Alcântara e Paulo Henrique Rosa, do R7













