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‘Disseram que iam me matar’, revela jornalista espancado por traficantes em operação no Rio

Andre Muzell teve os dentes quebrados e sofreu escoriações, além de luxações pelo corpo. Ele vai precisar passar por uma cirurgia na boca

Rio de Janeiro|Raphael Lacerda*, do R7

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Jornalista Andre Muzell foi agredido por criminosos enquanto trabalhava na cobertura de uma operação policial em Senador Camará Arquivo pessoal/ André Muzell

O jornalista Andre Muzell, de 48 anos, precisará passar por uma cirurgia na boca após ser espancado por traficantes enquanto fazia a cobertura de uma operação no Complexo de Senador Camará, na zona oeste do Rio de Janeiro, na tarde de quinta-feira (4).

Muzzel é repórter cinematográfico e estava a serviço do canal Fala Glauber. Ele acompanhava junto de outros profissionais da imprensa a movimentação policial na estrada do Taquaral, uma das principais vias do bairro, antes de ser atacado.


O jornalista registrava imagens de barricadas em chamas e não percebeu quando as equipes recuaram. Ao tentar retornar, ele foi rendido por cerca de 15 criminosos — todos armados com fuzis e pistolas.

“Disseram que iriam me matar, porque eu, provavelmente, era um policial. Perguntaram se eu estava armado, mas falei que era da imprensa. Nisso tudo, levando chutes e pontapés e pedindo para não me matarem”, detalhou.


Muzell ficou sob a mira de fuzis e foi obrigado a permanecer de cabeça baixa enquanto era espancado. Segundo ele, um dos bandidos chegou a afirmar que a arma havia falhado. As agressões continuaram mesmo após ele ser identificado como jornalista. A vítima teve os dentes quebrados e sofreu escoriações e luxações pelo corpo.

“Depois de apanhar bastante e estar sangrando muito, chegou uma pessoa e falou ‘olha, você não devia estar aqui’. Ela me dava socos e pontapés enquanto estava falando, mas dizia que ninguém iria me matar porque ‘não queriam outro Elias Maluco’ [traficante acusado da morte do jornalista Tim Lopes, em 2002]. Essa frase ficou muito na minha cabeça, por conta do colega Tim Lopes”, revelou.


O profissional também teve os equipamentos destruídos pela quadrilha durante o crime — entre eles, uma filmadora, um microfone, tripé e iluminação. O prejuízo chega a R$ 40 mil.

Após ser liberado, o repórter cinematográfico foi levado por um motoboy até outro ponto da região, onde recebeu o socorro de policiais militares do Batalhão de Choque. Ele foi encaminhado para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, e teve alta na mesma noite.


O caso foi registrado na Delegacia de Bangu, a 34ª DP, mas o jornalista não foi submetido ao exame de corpo de delito. O R7 pediu um posicionamento sobre as investigações à Polícia Civil, no entanto, não obteve respostas até a publicação da reportagem.

Muzell trabalha na área da comunicação há 15 anos e esteve fora do Rio de Janeiro por oito. Ele retornou ao estado no ano passado e atua na cobertura policial desde o início de 2025.

Questionado se planeja se mudar após o ataque, ele disse que não.

“Eu quis voltar para o Rio. A dor física é grande, a dor psicológica também, mas a vontade de trabalhar é ainda maior. Se eu desistir, é porque eles venceram. Eu não posso dar esse gosto de vitória para eles, vou continuar trabalhando”, enfatizou o jornalista.

Em meio à recuperação, André Muzell lançou uma campanha de arrecadação para tentar repor os equipamentos perdidos. “Coloquei uma vaquinha de R$ 25 mil para ver se consigo comprar equipamentos usados”, desabafou.

*Sob supervisão de Bruna Oliveira

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