Rio de Janeiro Em sete meses, Rio tem 17 operações e poucos resultados

Em sete meses, Rio tem 17 operações e poucos resultados

Para especialistas ações apresentaram resultados modestos, sem apreensões significativas ou  prisões de grandes criminosos

Em sete meses, Rio tem 17 operações e poucos resultados

Especialistas analisam ações das Forças Armadas no âmbito da GLO

Especialistas analisam ações das Forças Armadas no âmbito da GLO

Daniel Castelo Branco/Agência O Dia/13.12.2017

Desde que o atual regime de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) foi instituído no Estado do Rio, em 28 de julho de 2017, as Forças Armadas participaram de pelo menos 17 operações de cerco a comunidades e caça a bandidos. Para especialistas, o conjunto de resultados dessas ações até agora, porém, é modesto ou até questionável. Nenhum grande chefe criminoso foi preso nem houve apreensão de quantidade significativa de armas ou drogas.

A GLO em vigor desde o ano passado é diferente da intervenção federal na segurança, decretada pelo presidente Michel Temer (PMDB) após o carnaval. Seus resultados pouco vistosos, sobretudo nas apreensões de armamento mais pesado e desarticulação de bandos criminosos, porém, levantam dúvidas sobre a eficácia da iniciativa do Palácio do Planalto, sob comando do general Walter Braga Netto.

Forças Armadas fazem operação em favelas da zona oeste do Rio

O levantamento sobre as operações foi feito com base nos informes divulgados pelas secretarias estaduais de Segurança e de Administração Penitenciária. Elas são responsáveis pelos agentes que dividiram com as Forças Armadas as funções durante todas as iniciativas. Consultado, o CML (Comando Militar do Leste) não informou mais operações.

Maior número de prisões ocorreu em agosto de 2017

Maior número de prisões ocorreu em agosto de 2017

REUTERS/Ricardo Moraes

A primeira delas, chamada Onerat, foi realizada em 5 de agosto, oito dias após a decretação da GLO, e mobilizou o maior número de agentes. Foram 3.600 militares, que ocuparam favelas na região de Lins de Vasconcelos e Camarista Méier, na zona norte. Dois suspeitos morreram baleados e 23 pessoas foram presas. Foram apreendidos 21 carros, 3 pistolas e 2 granadas. Já a terceira operação, realizada em 21 de agosto em favelas da zona norte do Rio, foi a que levou ao maior número de presos: 43.

A maior iniciativa em extensão territorial, segundo a secretaria de Segurança, ocorreu na terça-feira, em rodovias federais, no Arco Metropolitano e em trechos das Favelas do Salgueiro e Jardim Catarina, em São Gonçalo (região metropolitana ), Chapadão, Pedreira, Kelson's, Cidade Alta, Pica-Pau, Cinco Bocas e Tinta, na zona norte da capital. Foram presas 11 pessoas e apreendidas 5 pistolas e 1 revólver, 2 simulacros de pistola, 6 granadas.

Debate

Para o sociólogo Ignacio Cano, professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio), "a melhor avaliação desse tipo de operação foi feita pelo general Villas Bôas (comandante do Exército) em junho". O militar disse que era inócua e cara. "Ninguém melhor do que ele para fazer essa análise."

Para Cano, é preciso ter mais informações sobre as operações de GLO. "Para um resultado significativo, com prisão de criminosos importantes ou apreensão de quantidade significativa de produtos, é preciso investigar, e não é isso que as Forças Armadas fazem."

Paulo Storani, mestre em Antropologia e ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da PM do Rio, avalia que as limitações impostas pela lei contribuem para que os resultados sejam menos significativos. "Para chegar a uma pessoa ou a um esconderijo é preciso a ajuda de algum morador, e basta o criminoso trocar de endereço que a polícia não pode entrar."

O coronel Roberto Itamar, porta-voz do CML, porém, afirma que a participação das Forças Armadas nessas operações tem sido um sucesso. "Cumprimos o que foi solicitado, sempre. A presença dos militares inibe os criminosos e permitiu que serviços de eletricidade, dos Correios e de coleta de lixo voltassem a ser prestados."

Agentes de carreira

O general Walter Souza Braga Netto, interventor federal, determinou a escolha de policiais de carreira para o Comando-Geral da Polícia Militar e para a Chefia da Polícia Civil. Braga Netto apresentará na manhã desta terça-feira (27) detalhes do plano de ação no Rio. A previsão, no entanto, é de que os nomes do comandante-geral da PM e do delegado-chefe ainda não sejam anunciados.

O novo secretário de Segurança, general Richard Fernandez Nunes, selecionará os nomes para a cúpula das polícias dentro de uma lista pré-selecionada pelo CML.

Nesta terça-feira, Braga Netto ainda receberá para uma reunião reservada, à tarde, os secretários de Segurança dos Estados vizinhos ao Rio (São Paulo, Minas e Espírito Santo). Eles vão debater ações conjuntas. 

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