Rio de Janeiro Empresário admite ter pago propina a ex-secretário de Witzel

Empresário admite ter pago propina a ex-secretário de Witzel

Edson Torres afirmou que Edmar Santos arrecadava 30% da “caixinha de propina” para dar vantagens em contratos

  • Rio de Janeiro | Ana Beatriz Araújo, do R7*

O empresário Edson Torres admitiu ter pago propina ao ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, para obter vantagens indevidas em contratos com a secretaria. Torres é uma das duas testemunhas que prestaram depoimento ao TEM (Tribunal Especial Misto) nesta quarta-feira (13) que julga o processo de impeachment do governador afastado Wilson Witzel.

Empresário teria “encaminhado o currículo” de Santos para o governo

Empresário teria “encaminhado o currículo” de Santos para o governo

Reprodução / Agência Brasil

Segundo o Torres, os pagamentos ocorrem desde que Santos era diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, que pertence à Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Apesar disso, afirmou que as relações só ficaram estreitas quando o ex-secretário assumiu a Secretaria de Saúde.

O empresário teria sido o responsável por “encaminhar o currículo” de Santos para o presidente do PSC, pastor Everaldo, que passou a indicação para Witzel.

Foi na gestão de Santos que a suposta “caixinha de propina” foi formada. A distribuição dos valores era feita através das OSs (Organizações Sociais). Já os recursos do Pedro Ernesto eram pagos diretamente ao ex-secretário.

Torres afirmou que propina era dividida da seguinte forma: 15% ia para ele, 15% para o suposto operador financeiro de Everaldo, Victor Hugo Barroso, 30% para Edmar Santos e 40% para pastor Everaldo e o governo. No entanto, ele não sabe dizer se Witzel recebia parte do dinheiro.

Ainda de acordo com Torres, a “caixinha de propina” arrecadou cerca de R$ 55 milhões em 2020. As OSs contribuíam com 3% a 6% do montante que variava conforme o resultado de cada contrato e negociação.

Relações com Witzel

Além disso, o empresário admitiu o pagamento de cerca de R$ 1 milhão ao pastor Everaldo para financiar a campanha do então juiz federal, Wilson Witzel. Ele afirmou que se reuniu com Witzel para discutir questões políticas.

Gabriell Neves

Edson Torres afirmou ter tido participação direta na indicação de Gabriell Neves para a Subsecretaria de Saúde do Estado. Neves era chefe de Edmar quando na época em que assumiu a gestão do Pedro Ernesto.

Apesar disso, não sabe dizer o motivo de Neves ter assumido a negociação das propinas, tarefa anteriormente feita por Santos.

Impeachment de Witzel

Witzel responde por crime de responsabilidade no processo de impeachment. O interrogatório do governador afastado está suspendo e só pode ser realizado após a defesa ter acesso aos documentos emitidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), com prazo mínimo de cinco dias entre o acesso integral e o ato processual.

Durante o interrogatório, Witzel pode exercer a autodefesa. Em seguida, defesa e acusação fazem as alegações finais e o relator, o deputado estadual Waldeck Carneiro, viabiliza o relatório final e manifesta o voto, que pode ou não ser acompanhado pelos outros integrantes do TEM.

Posicionamento das defesas 

A defesa do Pastor Everaldo disse que ele jamais recebeu propina ou participou de qualquer grupo criminoso. 

Já Witzel negou ter recebido "qualquer valor indevido de quem quer que seja, antes ou depois de eleito."

O R7 tenta contato com os advogados de outro citados. 

*Estagiária do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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