Empresários enfrentam burocracia para atender exigências dos bombeiros 1 ano após incêndio na Kiss
Falta de informação dos fiscais, legislação confusa e burocracia são alguns dos problemas
Rio de Janeiro|Do R7
Um ano após o incêndio da boate Kiss, que deixou 242 mortos, casas noturnas do Centro Antigo e da Lapa, região boêmia do Rio de Janeiro, ainda enfrentam dificuldades para conseguir a documentação necessária para atender a todas as exigências do Corpo de Bombeiros. Por causa disso, algumas deles fecharam as portas em janeiro, época de alta temporada, e amargam prejuízos. O principal problema é a falta de informação e a confusão burocrática gerada por autos de interdição e desinterdição.
O Centro Cultural Carioca, que fica na rua do Teatro foi interditado pela corporação no dia 10 de janeiro e ainda não reabriu. Orlando Thomé, um dos responsáveis pela casa, ainda tenta entender o motivo.
— Há um ano a casa havia isso interditada porque só tinha uma escada de acesso, quando a legislação determina ao menos duas. Mas o prédio é tombado e não pode modificar a fachada. Por causa disso, o Corpo de Bombeiros reduziu a capacidade do local para 200 pessoas, número correspondente ao que a única escada escoaria de forma adequada em caso de emergência. Com isso, foi emitido um laudo de desinterdição. No entanto, a casa foi novamente interditada, há duas semanas, com a mesma alegação. Não dá para entender.
No La Esquina, ocorreu situação semelhante. A casa foi parcialmente interditada por causa da escada de acesso ao local, mas a situação havia sido considerada sanada há um ano. Para Paulo César, proprietário do teatro bar, não há informação dos órgãos de fiscalização.
— Falta orientação e critério por parte dos órgãos de fiscalização. Eles só vêm aqui para multar e não te mostram como fazer para resolver o problema.
Após a segunda fiscalização, que resultou na segunda interdição das duas casas, os empresários recorreram ao Polo Novo Rio Antigo, associação que reúne 65 estabelecimentos na Lapa e no Centro Antigo. Na quinta-feira (22), o presidente da associação, Isnard Manso, se reuniu com o Coronel Roberto Fontenelle, Diretor-Geral de Serviços Técnicos, responsável pela fiscalização, que analisou a documentação e orientou sobre o que deveria ser feito para que os empresários consigam a documentação.
A extensa lista de medidas que devem ser tomadas pelos empresários inclui a contratação de um empresa para elaboração de um projeto de esvaziamento das casas, uma análise deste projeto pelo setor responsável no Corpo de Bombeiros, emissão pela corporação de um certificado de aprovação e de uma lista de pendências, e uma nova vistoria nas casas para verificar se todas as alterações foram executadas. Para eles, a principal queixa é que as orientações só foram repassadas agora, um ano após a primeira interdição.
Até o fechamento desta reportagem, a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros não havia se manifestado em relação aos dados referentes as fiscalizações.















