Logo R7.com
RecordPlus

Estudo aponta risco climático para o Complexo da Maré, no Rio

As ondas de calor podem ocasionar danos à saúde, aumentando as taxas de mortalidade, além de acentuarem a demanda energética

Rio de Janeiro|Da Agência Brasil

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Cerca de 140 mil pessoas moram na Maré
Cerca de 140 mil pessoas moram na Maré

Estudo de análise de riscos e vulnerabilidades climáticas no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, apontou que a comunidade com mais de 140 mil moradores sofre com três riscos climáticos: ondas de calor, inundações fluviais e aumento do nível do mar.

O diagnóstico foi desenvolvido pela WayCarbon, empresa global que atua em soluções voltadas para a transição justa e resiliente rumo a uma economia de baixo carbono, e pela Redes da Maré, instituição da sociedade civil que busca qualidade de vida e garantia de direitos para os moradores.


Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu Whatsapp

Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp


Compartilhe esta notícia pelo Telegram

Assine a newsletter R7 em Ponto


O levantamento tem por objetivo identificar os riscos físicos climáticos aos quais a população do conjunto de favelas está exposta, recomendar ações gerais de adaptação para a comunidade e potencializar a capacidade de mobilização e de obtenção de recursos para intervenções efetivas no território.

Para o trabalho, foi utilizada a plataforma MOVE ®️ – Model of Vulnerability Evaluation, baseada em dados do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas).


No caso das ondas de calor, o estudo mostra que o risco é “alto” ou “muito alto” em todo território com ocupação residencial da região. Esses riscos estão entre os principais problemas ambientais do século XXI diretamente relacionados ao crescimento populacional e às mudanças climáticas. As ondas de calor, como exemplo, podem ocasionar não apenas desconforto, mas danos maiores à saúde, aumentando as taxas de mortalidade, além de acentuarem a demanda energética.

Segundo Melina Amoni, gerente de Risco Climático e Adaptação da WayCarbon, o território da Maré tem alta vulnerabilidade climática porque tem uma grande densidade populacional. “Entre as medidas para reduzir o impacto que já existe hoje estão o reflorestamento urbano, um teto verde nas casas das comunidades ou um teto pintado de branco. Algumas das ações são simples. A população precisa ser incentivada a tomar essas medidas”.

Maurício Dutra, pesquisador e mobilizador do eixo de direitos humanos das Redes de Maré, lembra que o complexo de favelas tem pelo menos cinco rios e canais que podem transbordar na época de chuva. “A Maré está inserida entre a linha Vermelha, linha Amarela e a avenida Brasil. A qualidade do ar na Maré tem um nível de poluentes muito maior que outros territórios”, acrescentou. “A ideia é conscientizar os moradores dos efeitos das ameaças climáticas”.

Maré

Nascida entre águas e constituída por 16 comunidades, o processo de ocupação da Maré se consolidou a partir da construção da atual avenida Brasil, em 1946, onde se criou um cinturão industrial. As encostas e as áreas alagadiças existentes, naquele trecho da baía de Guanabara, e a proximidade do centro, tornaram-se condições favoráveis para o surgimento do complexo.

A população residente em comunidades no Rio de Janeiro vem crescendo de modo contínuo: em 1980 era 14% da população total, em 2010 chegou a 22% (IBGE, 2010) e, seguindo as projeções da ONU, este número seguirá aumentando.

O estudo será lançado oficialmente nesta sexta-feira (24) em um evento aberto ao público com o tema Análise de Riscos, Vulnerabilidades Climáticas, Qualidade do Ar e Identificação de Ilhas de Calor no Conjunto de Favelas da Maré.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.