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Ex-procurador do Instituto Rio Metrópole volta a ser preso por corrupção e lavagem de dinheiro

Novas provas encontradas no celular de Marcelo Lopes da Silva levaram à decretação de uma nova prisão preventiva

Rio de Janeiro|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole, foi preso novamente por corrupção e lavagem de dinheiro após novas evidências serem encontradas em seu celular.
  • A investigação revelou que Marcelo teria instruído sua companheira a abrir um MEI para prestar serviços fictícios a uma empresa com contratos milionários com o IRM.
  • Conversas no celular indicaram a atuação de Marcelo em liberar pareceres de interesse do grupo e evitar que questões fossem encaminhadas a órgãos de controle.
  • A denúncia contra Marcelo foi ampliada com novas acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e a Justiça aceitou o aditamento.

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Marcelo Lopes da Silva foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro após descoberta de novas provas Fernando Frazão/Agência Brasil

O GAESF/MPRJ (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), com apoio da CSI/MPRJ (Coordenadoria de Segurança e Inteligência), cumpriu na quarta-feira (16) uma nova prisão preventiva contra Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole e um dos denunciados na Operação Ouroboros.

Marcelo já havia sido preso na primeira fase da operação, mas teve a prisão preventiva revogada após uma decisão em habeas corpus. A nova ordem foi expedida pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital depois que a análise do celular apreendido com o investigado revelou, segundo o Ministério Público, novos indícios relacionados a corrupção e lavagem de dinheiro.


De acordo com o GAESF/MPRJ, Marcelo teria orientado a então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a abrir um MEI (microempreendimento individual) para prestar serviços à Engeconsult, empresa que mantinha contratos milionários com o IRM. Os contratos da empresa dependiam de análise da Procuradoria chefiada pelo então procurador.

O acordo previa o pagamento de R$ 30 mil, divididos em seis parcelas de R$ 5 mil, por supostos serviços administrativos. Para o Ministério Público, o MEI teria sido utilizado para ocultar o pagamento de uma vantagem indevida ao agente público. As mensagens recuperadas no aparelho indicariam ainda que Marcelo orientou que as tratativas não fossem registradas por escrito.


Outro ponto identificado na investigação foi a formalização do contrato entre o MEI e a Engeconsult no mesmo dia em que a empresa foi constituída. O documento, porém, apresentava uma data anterior à criação do negócio. Os pagamentos previstos seriam realizados em uma conta bancária de titularidade de Thays.

A análise do celular também revelou, segundo o GAESF/MPRJ, conversas que indicariam a atuação de Marcelo na liberação de pareceres de interesse do grupo, na interferência em documentos inseridos no SEI (Sistema Eletrônico de Informações) e na tentativa de evitar que determinadas questões fossem encaminhadas a órgãos externos de controle.


Em uma das mensagens recuperadas, ao tratar de um caso que poderia ser encaminhado à Procuradoria-Geral do Estado, Marcelo teria escrito: “Melhor matar aqui no IRM e arquivar logo o caso”. Ainda segundo a investigação, mesmo após deixar a Procuradoria do IRM, em 8 de junho, ele teria continuado atendendo a demandas do grupo. Sete dias depois, ao receber um novo pedido para elaborar um parecer, respondeu: “Deixa comigo”.

Com base nas novas provas, o GAESF/MPRJ aditou a denúncia contra Marcelo, acrescentando seis acusações de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro. Hélio Augusto Machado Pessôa, representante da Engeconsult, também passou a responder por seis novos crimes de lavagem de dinheiro. A Justiça recebeu o aditamento da denúncia.


Operação Ouroboros

A primeira fase da Operação Ouroboros foi deflagrada em julho, quando o GAESF/MPRJ denunciou 11 pessoas por suposta participação em um esquema de desvio de recursos do Instituto Rio Metrópole. Segundo a denúncia, contratos firmados com a Engeconsult e a R. Peotta Engenharia movimentaram R$ 86,28 milhões.

De acordo com a investigação, parte dos valores pagos pelo IRM às empresas teria sido repassada ao Instituto BIO, entidade que, segundo o Ministério Público, não possuía estrutura operacional compatível com os serviços contratados. Posteriormente, os recursos teriam sido retirados em espécie.

A apuração teve início após a apreensão, em janeiro, de R$ 500 mil em dinheiro transportados sob escolta armada. Os investigadores identificaram 28 transferências realizadas pelas empresas contratadas para o Instituto BIO, totalizando R$ 3,29 milhões. Também foram identificados 13 saques, que somaram R$ 3,02 milhões, realizados entre maio de 2025 e janeiro de 2026.

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