Ex-secretário diz que Paes recebeu quase R$ 3 milhões em propina

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, Alexandre Pinto afirmou que houve acerto de 1,75% de propina na construção da Transoeste

Alexandre Pinto é preso pela PF na Operação Rio 40 Graus

Alexandre Pinto é preso pela PF na Operação Rio 40 Graus

Tânia Rêgo/Agência Brasil/04.08.2017

O ex-secretário municipal de Obras do Rio de Janeiro, Alexandre Pinto, afirmou que houve tratativas de propinas dentro do gabinete do ex-prefeito Eduardo Paes.

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, nesta quinta-feira (4), Pinto disse que houve acerto de 1,75% de propina, por parte da Odebrecht, na obra da Transoeste, que teria custado R$ 600 milhões em sua construção.

Pinto disse a Bretas que estaria com medo, por estar revelando esses esquemas. "Eu tenho medo. A gente mexe com certas coisas", disse ele a Bretas, frisando que o pagamento de propinas não era exclusividade da Secretaria de Obras, mas era coordenado por um grupo de governo, incluindo Paes e outras pessoas com foro privilegiado, o que inclui deputados.

Pinto também disse que o Tribunal de Contas do Município (TCM) ficava com 1% das propinas das obras. Segundo ele, licitações eram direcionadas para privilegiar determinadas empresas.

O ex-secretário depôs no âmbito da Operação Mãos à Obra, um desdobramento da Lava Jato.

Outro lado

A assessoria de Eduardo Paes, que é candidato ao governo do Estado, afirmou que as acusações são "mentirosas" e disse considerar "curioso" o fato de as declarações surgirem às vésperas das eleições. 

Leia a íntegra da nota:

"As acusações do senhor Alexandre Pinto são totalmente mentirosas e confrontam seus próprios depoimentos anteriores, quando nunca mencionou envolvimento meu com quaisquer irregularidades.

Os próprios dirigentes da Odebrecht, que depuseram na Lava Jato, sempre negaram que eu tivesse recebido propina ou vantagem pessoal. O mesmo fizeram os dirigentes de todas as outras empreiteiras investigadas na Lava Jato. Basta ouvir os depoimentos, que desmentem, enfaticamente, qualquer tipo de benefício a mim.

O senhor Alexandre Pinto, ladrão confesso, no afã de conseguir benefícios penais, agora diz que 'ouviu falar' sobre esta mentira de um dirigente da Odebrecht, às vésperas das eleições. É no mínimo curioso, para não dizer suspeito, que a declaração do senhor Alexandre Pinto tenha ocorrido a três dias do primeiro turno eleitoral, sem oferecer nenhuma prova.

Há mais de um ano e meio, venho sendo atacado sistematicamente, sem que surgisse nenhum indício concreto contra mim. Sigo minha campanha confiante na Justiça e na capacidade de discernimento da população."