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Festa com ingressos a R$ 90 retrata estereótipos de favelas cariocas e é alvo de críticas

Festa Errejota acontece em 9/4 no Pier Mauá. Internautas denunciam "fetichização"

Rio de Janeiro|Do R7

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Festa carioca com tema "favela" sofreu críticas nesta quarta
Festa carioca com tema "favela" sofreu críticas nesta quarta

Após a divulgação da festa Errejota, internautas em redes sociais não pouparam críticas ao evento, acusando sua produção de racismo e de “fetichizar” a pobreza.

Um vídeo usado para divulgar a próxima edição do evento, que ocorre no dia 9 de abril, causou polêmica ao retratar as favelas cariocas com estereótipos que vêm sendo rechaçados pela população das comunidades nos últimos anos. Em cerca de dois minutos e 50 segundos, cenas em câmera lenta mostram o público dançando clássicos de funk.


A decoração da festa foi o suficiente para causar indignação nas redes sociais. Sutiãs em varal de roupa falso, moto-táxi na porta do evento e louça suja foram alguns dos elementos cenográficos usados.

Até a publicação desta reportagem, mais de 700 internautas tinham compartilhado o vídeo promocional da festa com críticas. “Gourmetizaram a favela. Que incrível! Que triste. Que triste”, diz um dos comentários.


Outra internauta fez um comparativo dos itens usados na decoração da festa com a realidade dos moradores das favelas cariocas. "A favela virou tema de festa, a dura realidade virou decoração, a pobreza sendo romantizada, gente... Parem com isso, queria ver vocês aqui na nossa pele, ter que contar com a sorte todos os dias pra não levar um tapa na cara de PM, ter a mochila revistada porque seu perfil é suspeito, não poder voltar pra casa depois da faculdade, escola, trabalho por causa de tiroteio ou toque de recolher. Eu queria muito poder entender a cabeça deles, mas não, não dá!", desabafou.

No vídeo de divulgação, os poucos negros presentes estão em cima do palco, apresentando passos de música e dança. Os pontos de venda divulgados pela organização da festa também foram alvos de críticas. Até as 18h desta quarta, só era possível comprar os convites em shoppings da Tijuca, Barra da Tijuca, Leblon e Botafogo, áreas afastadas das comunidades mais pobres da cidade. “Uma festa na favela, que não vende convite na favela...”, criticava uma internauta.


Até a publicação da reportagem, a organização da festa Errejota não havia respondido à tentativa de contato do R7. Na página oficial do evento, a organização publicou uma nota oficial. "Para os que se sentiram ofendidos, nossas mais sinceras desculpas. Falar que não somos preconceituosos e que não queríamos glamourizar a vida na favela, como alguns comentários sugeriram, nem precisamos, pois quem conhece nossos valores, a trajetória da nossa empresa, dos nossos sócios e amigos sabem que isso não se aplica. (...) Reiteramos aqui nosso pedido de desculpas caso, em algum momento alguém tenha se sentido ofendido. Mas principalmente, temos certeza que estamos mostrando a cultura do funk de maneira bacana, construtiva e que busca orgulhar não só quem nasceu e foi criado numa favela, mas todo carioca, afinal o funk é um patrimônio de todo carioca, não apenas das comunidades onde ele nasceu."

Lola Ferreira, do R7 Rio

Assista ao vídeo polêmico:

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