Rio de Janeiro Filho de dirigente olímpico cobrou dinheiro de Nuzman em e-mail

Filho de dirigente olímpico cobrou dinheiro de Nuzman em e-mail

Papa Diack diz que não recebeu transferência bancária de US$ 450 mil

  • Rio de Janeiro | Fernando Mellis, do R7

Nuzman (esq.) e Gryner chegam à PF no Rio de Janeiro

Nuzman (esq.) e Gryner chegam à PF no Rio de Janeiro

Fábio Mota/Estadão Conteúdo

Um e-mail apreendido pela Polícia Federal mostra que Papa Diack, filho do presidente da IAAF (Associação Internacional de Federações de Atletismo), Lamine Diack, cobrou Carlos Nuzman e Leonardo Gryner por valores não recebidos.

O documento consta no pedido de prisão de Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e Gryner, presidente do Comitê Olímpio Rio 2016.

Eles são investigados por suposto pagamento de propina para a escolha da capital fluminense como sede das Olimpíadas de 2016.

O e-mail foi enviado enviado por Papa Diack em 11 de dezembro de 2009 a Maria Celeste de Lourdes Campos Pedroso, funcionária do COB, tem como destinatários em cópia Carlos Nuzman e Leonardo Gryner.

No texto, Papa Diack cobra Maria. "Meus banqueiros no Senegal ainda não recebera, qualquer transferência da sua parte. Eu tentei por diversas vezes falar com Leonardo Gryner, mas sem resposta. Você poderia checar com ele se ele pode confirmar que as transferências foram feitas para o meu endereço em Dakar ou em Moscou".

Uma semana depois, Papa Diack envia outro e-mail a Maria.

"Aqui estão novamente minhas informações bancárias para a transferência de US$ 450.000 que eu estava esperando desde 12 de novembro de 2009, como parte do combinado com Leonardo Gryner", escreveu.

Em outro e-mail, destinado diretamente a Carlos Nuzman, Diack cobra compromissos assumidos em Copenhague, onde ocorreu a escolha da sede das Olimpíadas de 2016. Ele também deseja ao executivo "muito sucesso" em nome da "família atlética".

E-mail é citado como prova da ligação suspeita entre Diack e dirigentes olímpicos brasileiros

E-mail é citado como prova da ligação suspeita entre Diack e dirigentes olímpicos brasileiros

Reprodução

Investigações feitas por autoridades brasileiras e francesas indicam que Nuzman e Gryner foram responsáveis por transferir dinheiro a Papa Diack para que este usasse da influência do pai na IAAF, entidade filiada ao COI, para comprar membros do comitê.

Foram indentificados pagamentos de US$ 2 milhões a Papa Diack dias antes da votação que escolheu o Rio como sede das Olimpíadas. Mas os procuradores dizem que as cifras foram mais altas do que isso. 

"Carlos Nuzman e Leonardo Gryner não apenas tinham conhecimento dos fatos, como também fizeram todo o trabalho de intermediação entre agentes brasileiros [públicos e privados] e africanos, no esquema de compra de votos e respectivos pagamentos", sustenta o MPF-RJ (Ministério Público Federal no Rio de Janeiro).

Parte do dinheiro saiu de uma conta da empresa Matlock, em Miami (EUA), de propriedade do empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, que mantinha contratos milionários com o governo do Rio de Janeiro e também é acusado de pagar propina ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Ele está foragido desde 6 de setembro, quando foi deflagrada a operação Unfair Play (Jogo Sujo).

O juiz federal Marcelo Bretas afirma no despacho que determinou a prisão que Nuzman e Gryner "foram responsáveis pela intermediação da negociação espúria que teria sido realizada entre a organização criminosa liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral, o investigado Arthur Soares e também alguns membros do Comitê Olímpico Internacional".

"Em relação ao envolvimento do investigado Carlos Arthur Nuzman, que como indicam as novas provas trazidas aos autos parece que foi bem mais relevante do que se supunha inicialmente, fiz constar na decisão cautelar que determinou sua notificação para imediata oitiva pela autoridade policial [condução coercitiva, em 6 de setembro]", acrescenta o magistrado. 

O R7 procurou o advogado Nelio Machado, que defende Carlos Nuzman, mas até o momento não obteve qualquer posicionamento dele. O criminalista Marcos Vidigal de Freitas Crissiuma, defensor de Gryner, também não se manifestou. 

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