Furna da Onça: 4 deputados pedem revogação de prisão preventiva 

MPF se manifestou contrário ao pedido das defesas dos acusados; data do julgamento no TRF2 ainda não foi marcada 

Chiquinho da Mangueira está entre os deputados que querem liberdade

Chiquinho da Mangueira está entre os deputados que querem liberdade

Tomaz Silva/Agência Brasil/19.11.2018

Quatro deputados presos na Operação Furna da Onça entraram com recurso no TRF2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) para revogar as prisões preventivas. O MPF (Ministério Público Federal) se manifestou, nesta quinta-feira (6), contrário ao pedido das defesas dos acusados. O desembargador federal Abel Gomes, relator das ações da Lava Jato no Rio de Janeiro, vai analisar os casos, mas ainda não há data prevista. 

Segundo o MPF, os advogados de Coronel Jairo e Luiz Martins pediram à Justiça a conversão da prisão preventiva para domiciliar por motivos de saúde. Os outros dois parlamentares que querem deixar a cadeia são Marcus Vinicius "Neskau" e Chiquinho da Mangueira. 

Para o procurador regional da República Carlos Aguiar, a soltura dos acusados pode oferecer risco às investigações.

“São parlamentares suspeitos de praticar, numa organização criminosa, diversos atos de corrupção e lavagem de dinheiro, em detrimento dos cofres públicos. A prisão dos investigados mostra-se imprescindível, principalmente para preservar a ordem pública e garantir a aplicação da lei penal.”

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No caso de Coronel Jairo, a defesa alegou que ele é idoso e tem "delicado estado de saúde". No entanto, o MPF disse que ele convive com a doença há 10 anos e recebe os medicamentos na prisão. 

O NCCC (Núcleo Criminal de Combate à Corrupção) do MPF na 2ª Região apontou que Luiz Martins apresentou atestados médicos antigos. Para o núcleo, os documentos não provam, como a defesa alega, que o acusado teria doença grave ou dependeria de tratamento indisponível na cadeia. 

O MPF também rebateu o pedido de reconsideração da prisão de "Neskau" por entender que existem provas de que ele obteve recursos ilícitos e os gastou em proveito próprio. Além disso, a Procuradoria afirma que o deputado teve conhecimento prévio da operação, como revelou um dos áudios captados durante as investigações.

O Ministério Público Federal disse que a defesa de Chiquinho da Mangueira afirmou que o vazamento da operação não justificaria a prisão preventiva e que a soma apreendida na casa da mãe dele (R$ 80 mil) seria da escola de samba Mangueira para o Carnaval 2019. Para os advogados, também faltariam provas de movimentação de R$ 30 milhões no ano passado. 

Porém, o MPF reafirmou que a prisão preventiva de Chiquinho está de acordo com a legislação e se fundamenta em extenso conjunto de provas.

Outro lado

O advogado de Chiquinho da Mangueira informou que o "estado de saúde do deputado é crítico e está demonstrado nos autos".

A defesa do deputado Marcus Vinícius respondeu que o pedido de revogação da prisão foi formulado em razão da inconsistência das argumentações do Ministério Público Federal, que utilizou de gravação de diálogo ocorrido às 8h16, ou seja, após a efetivação da prisão que ocorreu às 6h, para sustentar o pedido pela manutenção da prisão.

O R7 tentou contato com os advogados de Coronel Jairo e Luiz Martins, mas eles ainda não foram localizados.

Arte/R7