Hospital do Maracanã é fiscalizado após retirada de respiradores

Denúncias apontam que fisioterapeutas receberam equipamentos ultrapassados para tratar pacientes com covid-19 na unidade

Hospital de campanha é alvo de denúncias de profissionais

Hospital de campanha é alvo de denúncias de profissionais

ALEXANDRE DURÃO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO/18.05.2020

O Hospital de Campanha do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, será alvo de uma fiscalização do Crefito 2 (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 2ª Região) nesta segunda-feira (18) após denúncias de profissionais da saúde sobre a retirada de 20 respiradores modernos da unidade, além da falta de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para a segurança deles.

Em entrevista à Record TV Rio, o diretor do departamento de fiscalização do Crefito, Carlos Pereira, confirmou que tem recebido, desde a última quarta-feira (13), denúncias por parte de fisioterapeutas, que são responsáveis pela intubação de pacientes em casos graves de covid-19.

Segundo Pereira, os profissionais disseram que os ventiladores modernos foram remanejados para outra unidade – Hospital de São Gonçalo, que deveria ter sido inaugurado no último fim de semana - e que, no lugar, receberam equipamentos ultrapassados.

“O grande problemas da retirada desses ventiladores é que os fisioterapeutas precisaram trabalhar com ventiladores fabricados há 20, 30 anos. Parte da tecnologia que foi incorporada ao longo dos tempos deixou de existir, o que fica muito difícil para o trabalho do terapeuta porque ele começa a ficar às cegas. Os ventiladores dão poucas informações".

Pereira explicou ainda que a precisão de um ventilador moderno é essencial no tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus:

"Ele [o equipamento] me diz exatamente a medição pulmonar e qual é a melhor estratégia ventilatória que tem que ser usada para que a gente salve vidas e não cause prejuízo a esses pulmões. Os ventiladores modernos protegem esses pacientes que precisam da terapia intensiva."

Outro problema apontado pelos profissionais que atuam no hospital de campanha do Maracanã envolve a quantidade de leitos para uma equipe reduzida.

"Outro ponto que está chegando é a relação entre profissionais e leitos. Não posso ter um fisioterapeuta atendendo 20 pacientes, porque você não garante o perfeito cuidado. O Ministério da Saúde determina, no mínimo, um profissional a cada 10 leitos ou fração de leitos. No Maracanã, são oito profissionais para 130 leitos, quando deveria ser  pelo menos 13”.

Antes de entrar no hospital para a inspeção, Carlos Pereira disse que os possíveis  problemas  constatados pelo Crefito 2, serão resolvidos internamente e, em seguida, uma notificação encaminhada à instituição responsável pela administração da unidade, que é a OS (Organização Social) Iabas.

No caso de denúncias fora da competência do conselho, as informações serão reportadas à Secretaria Estadual de Saúde, além do Ministério da Saúde e do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

Procurada, a Iabas informou que o remanejamento dos respiradores é "uma questão natural e normal". A instituição disse que a retirada foi feita com antecedência para, por exemplo, fazer o transporte adequado dos equipamentos e  treinamento médico.

Em nota, A Secretaria Estadual de Saúde disse que está apurando o caso e que poderá notificar a Iabas.

Outras denúncias

Esta não é a primeira denúncia de profissionais sobre o hospital de campanha do Maracanã. Na semana passada, técnicos e enfermeiros reclamaram sobre a falta de estrutura e fizeram vídeos em que trabalhadores apareciam dormindo em colchões no chão da unidade.

Em meio às investigações sobre fraudes em contrados da Saúde e atrasos em inaugurações de hospitais de campanha, o secretário Estadual de Saúde do Rio, Edmar Santos, foi exonerado do cargo no último domingo (17).