Jorge Picciani é levado para depor e tem o filho preso

Operação Ponto Final mira  filho do presidente da Alerj e 'Rei do Ônibus'

Família Picciani está na mira da Operação Ponto Final
Família Picciani está na mira da Operação Ponto Final Estadão Conteúdo

A Polícia Federal prendeu, em Uberlândia (MG), o empresário Felipe Picciani, filho do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB) e irmão do ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, nesta terça-feira (14), durante o cumprimento de mandados judiciais em mais um desdobramento da Operação Lava Jato. Seu pai, Jorge, também foi detido pela PF no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, agora pela manhã. Ele vai prestar depoimento.

Os pedidos são da segunda instância da Procuradoria da República. Há ordem para buscas no gabinete de Jorge Picciani. O deputado estadual Edson Albertassi (PMDB) também é alvo da operação.

Outro lado

A assessoria do deputado Jorge Picciani informou que os advogados do parlamentar estão acompanhando o depoimento e será divulgada uma nota de esclarecimento ainda hoje.

Segundo a chefia   do gabinete do deputado Edson Albertassi (PMDB), o parlamentar não foi conduzido coercitivamente a depor, mas sim convidado a depor. Depois da coletiva da Polícia Federal sobre a operação, a assessoria do deputado deve divulgar uma nota.

Assista ao vídeo do momento em que Jorge Picciani é detido no aeroporto:

Felipe Picciani é responsável pelas empresas da família, que incluem fazendas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso, reunidas na empresa Agrobilara, referência no melhoramento genético das raças nelore e gir leiteiro.

Eles também são donos da mineradora Tamoio, que forneceu brita para as obras das Olimpíadas no Rio. 

Outros presos

Também estão sendo cumpridos 35 mandados de busca e apreensão. Estão na mira da operação o empresário Jacob Barata Filho o "Rei do Ônibus", e o ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor) Lélis Teixeira.

Jacob Barata Filho, o "Rei do Ônibus", e Teixeira foram presos pela Operação Ponto Final em julho passado. Por ordem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto, os dois foram colocados em liberdade.

A família Picciani foi um dos alvos do acordo de leniência da Carioca Engenharia em abril do ano passado. A matemática Tania Maria Silva Fontenelle, ligada à empreiteira, afirmou que comprou vacas superfaturadas da empresa Agrobilara Comércio e Participações Ltda. para "gerar dinheiro em espécie" para a empreiteira.

A executiva ligada à Carioca afirmou que "simplesmente atendia as solicitações de obter dinheiro em espécie e entregava a quem fazia a solicitação ou a pessoas da empresa por eles indicadas".

"Obviamente sabia que a destinação dessas quantias era ilícita, para corrupção ou para doação eleitoral não-declarada; que, entretanto, não manteve contabilidade ou controle disso, pois estava há muitos anos na empresa, tinha a confiança dos acionistas e eram recursos não oficiais que normalmente entregava aos solicitantes”, declarou Tania Maria.

Em julho, numa fase anterior da operação Ponto Final, foi revelado o envolvimento do ex-governador Sérgio Cabral no esquema de corrupção. 

Assista abaixo à série O Rio de Janeiro na Lama, do Jornal da Record: