Justiça autoriza exumação de corpos de vítimas de operação polêmica no Rola
Na ação, realizada em 2012, cinco pessoas morreram; duas não tinham antecedentes criminais
Rio de Janeiro|Do R7
A Justiça do Rio de Janeiro autorizou nesta terça-feira (4) a exumação dos corpos de Douglas Vinícius da Silva e Luiz da Cruz Neves, que morreram na operação realizada pela Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) na favela do Rola, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio, em 16 de agosto do ano passado.
Na ação, cinco pessoas morreram - duas delas não tinham antecedentes criminais, segundo informação confirmada em maio deste ano pela chefe da Polícia Civil, a delegada Martha Rocha.
O motivo da solicitação da Corregedoria da Polícia Civil feita à Justiça é porque há hipótese de alteração no cenário do confronto entre agentes e traficantes daquela comunidade, na qual resultou nos cinco homicídios.
De acordo com o juiz da 1ª Vara Criminal da Capital, a exumação das duas vítimas foi autorizada para que seja feito o confronto balístico com as armas dos policiais que participaram da operação, já que, de acordo com o juiz, há apenas o registro da entrada de balas nos corpos de Silva e Neves, mas não há a informação da saída delas.
— há fundadas razões de que esses dois projéteis possam ser localizados nos dois cadáveres a serem exumados e, ainda que, somente após sua obtenção, poderão ser complementados os exames cadavéricos já realizados, assim como poderão ser realizados confrontos balísticos.
A iniciativa de apurar o fato após nove meses da ação foi tomada após um vídeo da operação, filmado pelos próprios agentes, ser divulgado pelo jornal Extra. As imagens mostram policiais alterando a localização de corpos na cena do confronto, que terminou com cinco mortos. Há indícios de que as gravações só tenham sido divulgadas por causa de uma disputa entre policiais que participaram da ação.
No confronto, os agentes justificaram as mortes como auto de resistência — quando há confronto com a polícia —. Agora, caberá à corregedoria a decisão de afastar ou não os policiais envolvidos na operação durante as investigações.
No vídeo, no entanto, policiais dizem que um dos mortos estava desarmado e carregam seu corpo para o local onde estavam cadáveres armados. Os agentes também dizem que vão socorrer os suspeitos, apesar de terem reconhecido, pouco antes, na filmagem, que estavam mortos.
A Polícia Civil alega que os policiais socorreram os feridos levando-os para os hospitais próximos e acionaram a perícia de forma devida. Quatro pessoas foram presas e a operação, que tinha o objetivo de prender o suposto traficante da região conhecido como DG, apreendeu quatro fuzis, uma espingarda calibre 12, duas pistolas, quatro carregadores, 67 cartuchos, nove quilos de cocaína, 62,9 gramas de crack, 334 gramas de maconha, 42 frascos de solvente e R$ 981 em espécie.















