Madureira e seus personagens: as histórias que transformaram um bairro em lenda carioca
No próximo sábado (26), o Madureira volta a celebrar sua tradição de reunir pessoas ao receber mais uma edição do Record nos Parques
Rio de Janeiro|Do R7

Alguns personagens nasceram em mesas de bar. Outros surgiram em rodas de samba que atravessaram madrugadas inteiras. Há histórias que começaram no quintal de casa, debaixo de uma árvore ou em encontros de amigos que sonhavam transformar simples batucadas em patrimônio cultural. O fato é que poucos bairros do Rio de Janeiro revelaram tantos personagens marcantes quanto Madureira.
Por ali, o samba não virou apenas música. Virou identidade
E talvez nenhum nome represente isso melhor do que Paulo da Portela. Em uma época em que o samba ainda enfrentava preconceitos, ele ajudou a mostrar ao país que os sambistas eram artistas e mereciam respeito. Fundador da Portela, Paulo não construiu apenas uma escola de samba. Ajudou a construir uma nova imagem para toda uma geração de músicos e compositores.
Décadas depois, outro personagem se tornaria uma das vozes mais importantes do bairro: Monarco.
Quem teve a oportunidade de ouvi-lo cantar sabia que não estava diante apenas de um artista. Era como escutar a própria memória de Madureira. Compositor da Velha Guarda da Portela, ele transformava lembranças em versos e ajudou a preservar tradições que poderiam ter ficado apenas nas páginas dos livros. Seu legado continua presente no cotidiano do bairro e na história do samba brasileiro.

Se Monarco ajudou a eternizar os versos e a memória da Portela, Tia Surica, Iranette Ferreira Barcellos, que hoje tem 85 anos, se tornou uma das grandes guardiãs da alma da escola. Nascida e criada em Madureira, ela transformou sua voz, sua casa e sua trajetória em símbolos da cultura do bairro, mantendo vivas tradições que atravessam gerações.
Ao falar das personalidades que marcaram o bairro, Tia Surica relembra uma verdadeira galeria de mestres do samba.
" Manacéa, Monarco, Casquinha, Alcides Malandro Histórico e Candeia, lembra Tia Surica."
Mas Madureira também foi palco da genialidade de Candeia. Poeta, compositor e defensor das raízes do samba, ele enxergava a música como instrumento de resistência e identidade. Suas canções ultrapassaram o entretenimento para se tornarem reflexões sobre cultura, pertencimento e ancestralidade. Até hoje, seu nome é reverenciado por sambistas de todas as gerações.
O tempo passou, os instrumentos mudaram, as gravações ganharam novas tecnologias, mas Madureira continuou produzindo talentos.
Foi desse ambiente que emergiu Arlindo Cruz, um dos compositores mais populares da música brasileira. Autor de sucessos gravados por inúmeros artistas, Arlindo levou para o Brasil inteiro o jeito suburbano de fazer samba. Suas músicas fizeram o caminho inverso dos trens que cortam Madureira: partiram do bairro para conquistar o país.

E a fábrica de talentos não para por aí. Entre tantas personalidades que ajudaram a construir a identidade de Madureira, poucas representam tão bem o bairro quanto Dona Ivone Lara. Com sua voz marcante e composições que entraram para a história da música brasileira, ela levou para o país inteiro a sensibilidade e a força do samba nascido nos quintais e nas rodas da região. Em Madureira, seu legado segue vivo, ecoando nos versos, nos tamborins e na memória de quem faz da cultura sua maior riqueza.

Se muitos dos ícones do samba de Madureira se tornaram lembranças eternizadas em discos, versos e histórias, Tia Surica segue como uma dessas raras lendas vivas. Guardiã da memória da Portela, ela carrega na voz e nas lembranças capítulos importantes da história do bairro, mantendo vivo o legado de gerações de sambistas que ajudaram a transformar Madureira em um dos maiores símbolos da cultura carioca.
‘Se quiser me dar flores, me dê flores em vida", diz Tia Surica.

Mas a história de Madureira não é feita apenas de sambistas
Nos anos 1950, uma mulher atraía multidões e movimentava o bairro com seu carisma. Zaquia Jorge, conhecida como “Estrela de Madureira”, era uma celebridade muito antes da era da internet e das redes sociais. Atriz, vedete e empresária, ela transformou o bairro em um polo de entretenimento. Ela comandava o famoso Teatro de Revista de Madureira e atraía multidões para seus espetáculos. Sua morte precoce causou comoção tão grande que inspirou o clássico samba Madureira Chorou, eternizando seu nome na memória afetiva dos cariocas.
Há ainda aqueles que, embora não tenham nascido no bairro, foram adotados por ele. É o caso de Clara Nunes, que encontrou em Madureira e na Portela uma conexão profunda com a cultura afro-brasileira. Sua trajetória ajudou a projetar para todo o país as tradições que há décadas fazem parte da identidade local.

O mais curioso é que Madureira continua produzindo personagens
Eles estão nos ensaios das escolas de samba, nos músicos que se apresentam nas rodas espalhadas pelo bairro, nas baianas que preservam receitas e tradições, nos comerciantes do Mercadão e nos moradores que mantêm viva a alma suburbana do Rio. Porque, em Madureira, a história não está guardada em museus. Ela continua sendo escrita todos os dias nas calçadas, nos quintais, nos palcos e nos sambas que ecoam pelo bairro.
Records nos Parques
Do legado de Tia Surica e Monarco aos encontros de hoje, Madureira mantém viva sua vocação para reunir pessoas. No sábado (26), essa história ganha mais um capítulo com o Record nos Parques, no Parque Madureira. O evento levará serviços, atividades e lazer para toda a família em Madureira. O RECORD nos Parques, em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, acontece das 10h às 16h. O programa Rio BOM D+ será transmitido ao vivo direto do Parque Madureira, a partir das 13h, com a participação do time da RECORD Rio e muitas atrações musicais.
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