Rio de Janeiro Mãe de Kathlen desabafa: 'quero ser a última contando essa história'

Mãe de Kathlen desabafa: 'quero ser a última contando essa história'

Pais da jovem de 24 anos, grávida de 4 meses, morta com tiro de fuzil no tórax no Rio de Janeiro falaram à Record TV sobre o crime

  • Rio de Janeiro | Do R7, com informações da Record TV

Pais de Kathlen, Luciano Gonçalves e Jaqueline de Oliveira

Pais de Kathlen, Luciano Gonçalves e Jaqueline de Oliveira

Reprodução/Record TV

Os pais de Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos, morta com um tiro de fuzil no tórax no complexo de Lins, na zona norte do Rio de Janeiro, fizeram um desabafo sobre a perda da filha em entrevista exclusiva ao Jornal da Record, da Record TV. Ela estava grávida de quatro meses.


O pai Luciano Gonçalves falou sobre a dor de fazer de tudo para proteger a única filha da violência. “Nem tudo que pensei em fazer pra blindar minha família, as noites de sono perdidas, dois trabalhos para dar um futuro melhor pra minha filha.Tirei minha filha do morro pra vir pra cá. Para quê? Perdi”, afirmou.

A casa fora da comunidade era o sonho da família, que havia se mudado há um mês por medo da violência. “Saber quem matou a minha filha me dá um certo conforto. A justiça pra mim seria outras pessoas não estarem aqui dando essa entrevista. Eu quero ser a última entrevista contando essa história. Essa justiça que eu quero.”

Kathlen havia voltado à comunidade no dia da morte para visitar a avó, que testemunhou o momento em que a neta foi atingida pelo disparo. "Nós estávamos andando na rua, quando de repente veio barulho de tiro. Eles vinham da Vila São José, quando olhei, correria. A minha neta, quando eu vi já caindo, achei que ela tinha se jogado para se proteger, me joguei em cima dela, quando me joguei  em cima dela, que ela caiu de bruços, vi o buraco nela", disse Sayonara de Fatima, que contou que pedia para a neta não visitá-la na comunidade, apesar da saudade.

Investigação

A perícia na comunidade carioca onde Kathlen morreu não encontrou nenhum sinal de munição. A polícia militar afirma que o local foi preservado. Quatro policiais militares prestaram depoimento nesta quinta-feira (10). Ao todo, nove já foram ouvidos, e 12 participaram da ação. Eles alegam que reagiram ao ataque de criminosos.

Um dos PMs que prestou depoimento disse que, durante um patrulhamento, a equipe encontrou quatro suspeitos armados, um deles com fuzil. Os criminosos teriam fugido atirando para trás.



O PM contou que fez ao menos cinco disparos de fuzil e um colega teria atirado mais duas vezes. Ele confirmou que a equipe levou Kathlen para o hospital dentro de uma viatura.

Durante a perícia feita no local onde Kathlen foi baleada não foi encontrado qualqer vestígio de munição. A PM diz que o lugar foi preservado, mas a suspeita é de que os policiais tenham limpado a cena do crime, o que pode atrapalhar as investigações.

No boletim de ocorrência, os policiais confirmaram que recolheram drogas, carregadores de armas e munições. Vinte e uma armas usadas pelos policiais foram apreendidas e vão passar por perícia.

As investigações tambem devem esclarecer se a polícia realizava uma operação na comunidade, o que está proibido pelo STF (Supremo Tribunal Federal). “Nós entendemos que as pessoas têm medo, mas o que a gente menos tem que ter nesse momento é medo. Então, nós não podemos aceitar a violência naturalizada dessa forma, e ela ocorre somente em bairros pobres, em favelas”, afirma Nadine Borges, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos OAB/RJ.

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