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Mãe e irmão de Oruam são presos em ação da PF contra o CV no Rio

Operação cumpre mandados contra envolvidos no monopólio da internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão

Rio de Janeiro|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mãe e irmão do cantor Oruam foram conduzidos à delegacia durante operação da Polícia Federal contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
  • Operação Backbone, autorizada pelo STF, visa desarticular monopólio do fornecimento de internet em comunidades do Rio.
  • Investigações apontam uso de violência para controlar o serviço de internet, com empresas pagando taxas à facção criminosa.
  • Justiça determinou bloqueio de bens e suspensão de atividades de empresas envolvidas, além de comunicar a Anatel para providências.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mãe e irmão de Oruam foram conduzidos à delegacia pela PF Reprodução/RECORD

A mãe e o irmão do cantor Oruam, Marcia Gama dos Santos Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, foram presos na manhã desta segunda-feira (19) durante uma operação da Polícia Federal contra o crime organizado ligado ao Comando Vermelho, no Rio de Janeiro.

Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a Operação Backbone visa desarticular uma estrutura criminosa ligada ao Comando Vermelho que impõe o monopólio do fornecimento de internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão.

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Segundo as investigações, o grupo utiliza ameaças e violência para controlar o serviço e movimenta recursos por meio de empresas provedoras de internet e outros negócios.

Ao todo, os agentes cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, além de Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, Maricá, na Região Metropolitana, e Magé, na Baixada Fluminense.

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Um dos mandados judiciais apresentados determina a busca e apreensão de armas, munições, computadores, celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos no endereço de Marcia Gama, localizado no bairro do Pechincha, na zona sudoeste da cidade.

A decisão judicial também autoriza os agentes a acessar e analisar dados armazenados nos dispositivos eletrônicos apreendidos, inclusive mensagens, e-mails e arquivos guardados em serviços de armazenamento em nuvem.

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A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas. Além disso, foi ordenada a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e negócios apontados como estruturas de fachada utilizadas para viabilizar as práticas criminosas.

Facção impunha contratação de internet com ameaças

De acordo com a Polícia Federal, traficantes armados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes. As ações impediam a realização de reparos e dificultavam a prestação do serviço, forçando moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pelo grupo criminoso.

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Essas empresas, por sua vez, pagavam mensalmente uma espécie de taxa à facção para operar nas comunidades dominadas. A cobrança transformou a exploração da internet em uma importante fonte de renda do crime organizado, além de contribuir para as disputas territoriais entre grupos criminosos.

Registros contábeis da própria organização indicam que, em apenas um mês, a arrecadação com o serviço de internet representou mais de 40% de toda a receita do grupo no Complexo da Penha, segundo as investigações.

Dinheiro era lavado por meio de empresas e imóveis

As apurações também apontaram que um dos antigos líderes da facção, preso há quase 30 anos e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, continuaria exercendo controle sobre atividades empresariais exploradas nos territórios dominados pelo grupo. A atuação ocorreria em conjunto com familiares e outras lideranças da organização criminosa.

Segundo a PF, os recursos eram repassados à família do investigado por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Para ocultar a origem do dinheiro, o grupo utilizaria produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão adquiridos com pagamentos em espécie e criptoativos.

Anatel poderá cassar autorizações de empresas

Como parte das medidas determinadas, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) será comunicada para adotar providências relacionadas à cassação das autorizações e à interdição dos serviços de telecomunicações prestados pelas empresas investigadas.

A medida deverá ser acompanhada de ações para garantir a continuidade do fornecimento de internet aos moradores das comunidades afetadas, evitando que a operação interrompa o acesso ao serviço essencial.

Os investigados poderão responder por domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que possam ser identificados durante o andamento das investigações.

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