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Morre no Rio Carlos Heitor Cony

Jornalista e escritor faleceu em razão de falência múltipla dos órgãos

Rio de Janeiro|Bruna Oliveira e Helder Maldonado, do R7

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Cony ocupava cadeira nº 3 da ABL
Cony ocupava cadeira nº 3 da ABL

Aos 91 anos, o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony morreu vítima de falência múltipla dos órgãos no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio, na noite de sexta-feira (5), segundo a assessoria da Academia Brasileira de Letras. 

No último dia 26, Cony foi internado após sentir fortes dores no abdômen. Ele passou por uma cirurgia e faleceu depois de apresentar complicações.

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Segundo a família, nenhuma informação sobre velório ou enterro de Carlos Heitor Cony será divulgado, seguindo uma vontade expressada por ele. 

Cony era quinto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL. Ele foi eleito em 23 de março de 2000, na sucessão de Herberto Sales e recebido em 31 de maio de 2000 pelo acadêmico Arnaldo Niskier.

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Carlos Heitor Cony foi um dos mais prolíficos escritores da história do Brasil. Nascido no Rio de Janeiro em 14 de março de 1926, ele atuou como autor para o teatro, cinema, TV e documentários.

Durante a carreira, colaborou com os principais jornais do País e venceu por três vezes o Prêmio Jabuti, com os livros Quase Memória (1996), A Casa do Poeta Trágico (1997) e Romance Sem Palavras (2000).

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Mas além dos romances, Cony se destacou como cronista e ensaísta político. Em Quem Matou Getúlio Vargas, Cony explora a controversa biografia do ex-presidente brasileiro e as causas de sua morte. Publicado em capítulos semanais na Revista Manchete, o livro foi censurado pela Ditadura Militar e teve fatos e opiniões refutados pelo Marechal Juarez Távola em textos puplicados na mesma revista.

Cony teve experiências no cinema ao escrever os roteiros de A Noite do Massacre (1975), Os Trombadinhas (1979), Os Primeiros Momentos (1973) e Intimidade (1975). Na TV, ele esteve por trás dos textos de Comédia Carioca (1964) e Marquesa de Santos (1984). Ainda na TV, Cony colaborou na produção de três documentários da Rede Manchete: JK – 7 anos Sem a Sua Companhia, JK – A Voz da História, Vargas – A Vida e a História (todos baseados em livros dele).

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Cony era casado com Beatriz Latja e tinha três filhos: Regina, Verônica e André. Alfabetizado em casa, o autor estudou posteriormente em um seminário de Rio Comprido e chegou a ser ordenado padre aos 19 anos. 

Trabalhou também como funcionário público da Câmara Municipal do Rio de Janeiro até 1952 e em 1960, entrou para o Correio da Manhã, onde escreveu editorial contra o presidente João Goulart. Quando a Ditadura foi instalada, o autor se arrependeu publicamente pelo texto. 

Durante esse período, foi preso por seis vezes e futuramente indenizado pelo Governo por ser sofrido danos materiais e físicos com essas detenções causadas por textos que criticavam o regime vigente. 

Luto oficial

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, lamentou a morte do escritor: "Um dos mais expressivos nomes da cultura brasileira. Vencedor de três prêmios Jabuti e membro da Academia Brasileira de Letras, Cony também foi um jornalista brilhante, com passagem pelos principais veículos da imprensa do país, influenciando o trabalho dos colegas com seu talento e bom humor. À sua família, nossas mais sinceras condolências".

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, divulgou uma nota de pesar e decretou luto de três dias pelo falencimento de Carlos Heitor Cony. 

"O jornalismo e a literatura perderam um de seus nomes mais importantes. Com uma trajetória brilhante em jornais, revistas, TV e rádio, Carlos Heitor Cony foi um crítico de primeira hora do autoritarismo e da censura do regime militar. Também deixou como legado uma obra de ficção marcante. Neste momento difícil, quero prestar minhas condolências à família, aos amigos e admiradores de Cony. E, como homenagem a esse grande carioca, decreto oficial luto de três dias no estado do Rio de Janeiro."

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