Rio de Janeiro Mototaxista e passageiro são mortos em acesso à Cidade de Deus

Mototaxista e passageiro são mortos em acesso à Cidade de Deus

Policiais militares teriam dado ordem de parada ao condutor, que não teria obedecido; vídeos mostram agentes arrastando corpos

  • Rio de Janeiro | Rafaela Oliveira, do R7*

Mototaxista e passageiros são mortos perto da CDD

Mototaxista e passageiros são mortos perto da CDD

Reprodução/Record TV Rio

Um mototaxista e um passageiro foram mortos na noite desta terça-feira (18) em um dos acessos à Cidade de Deus, na zona oeste do Rio. Segundo a PM, o condutor teria desobedecido a ordem de parada e os agentes suspeitaram que o segundo ocupante fosse "puxar" uma arma da cintura.

Os dois homens foram socorridos para o Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá. Segundo o Ministério da Saúde, ambos chegaram na unidade já em óbito. O passageiro ainda não foi identificado. 

Nas redes sociais, circulam vídeos do local, conhecido como Giro da Cebolinha, na avenida Tenente-Coronel Muniz de Aragão, embaixo da Linha Amarela, em que os policiais aparecem arrastando os corpos das vítimas. Os moradores da região chegaram a fechar a via pouco depois do ocorrido. 

Equipes do Batalhão de Polícia de Choque estiveram no local. A via foi interditada e se formou um congestionamento na região. Ao longo da noite, o protesto se intensificou e as pessoas colocaram fogo na avenida.

Em entrevista à Record TV Rio, a esposa do mototaxista Edvaldo Viana, 41, disse que foi conversar com os policiais assim que soube da morte. "Mais uma vez, um trabalhador perdendo a vida. Eu perguntei a eles [policiais] "meu deus, moço, por que vocês mataram um inocente?", contou Mírian dos Santos.

Na reportagem, o enteado de Edvaldo, Paulo Henrique, conta que foi reconhecer o corpo do padrasto: "Tiro no ombro! Não foi um tiro no peito ou na cara (...) eu quero saber o que vai ser feito a respeito disso tudo, se vai ser mais uma vítima, se vai entrar para as estatísticas".

Em nota, a Polícia Militar informou que os agentes do 18° BPM (Jacarepaguá) envolvidos na ação foram ouvidos na Delegacia de Homicídios da Capital e um fuzil da equipe foi recolhido para perícia. Ainda segundo as informações, o secretário Rogério Figueredo de Lacerda determinou que a Corregedoria da Corporação apure a ação.

Neste mesmo lugar, um dos principais acessos à Cidade de Deus, o mototaxista Marcelo Guimarães, de 38 anos, foi baleado no dia 4 de janeiro deste ano. A família também acusa os policiais militares pela morte. 

As duas mortes aconteceram menos de duas semanas depois da operação no Jacarezinho, que terminou em 28 pessoas assassinadas (incluindo um inspetor da Polícia Civil).  

As investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital, que já encaminhou o fuzil dos policiais para confronto balístico. Segundo a Polícia Civil, diligências seguem para apurar as circunstâncias do caso.

*Estagiária do R7, sob supervisão de PH Rosa

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