MP denuncia 3 policiais civis e 1 PM por participação em esquema de loteamento ilegal no Rio
Um delegado da Polícia Civil também é suspeito de envolvimento no caso. Ele foi alvo de buscas
Rio de Janeiro|Do R7

Quinze pessoas, incluindo três policiais civis e um PM, foram denunciadas à Justiça por participação em um esquema de loteamentos ilegais no Parque Estadual da Pedra Branca, em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro.
Nesta quinta-feira (11), o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) foi às ruas cumprir quatro mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão.
As ações ocorreram nos bairros de Copacabana, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Olaria, Realengo, Magalhães Bastos e Jardim Sulacap.
Além dos policiais, um delegado da Polícia Civil também é suspeito de envolvimento no caso. Segundo a Promotoria, ele foi alvo de buscas.
De acordo com a denúncia do MP, centenas de vítimas foram atraídas pela falsa promessa de adquirir um terreno regularizado em uma área verde e arborizada na zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca.
Segundo as investigações, o líder do grupo, identificado como Milton de Souza Junior, se apresentava como proprietário de terras na região. Ele promovia o parcelamento irregular dos terrenos e vendia os lotes. Para enganar os compradores, utilizava falsos corretores de imóveis, empresas de fachada e laranjas para receber os valores pagos.
Vínculos com a milícia
As investigações também revelaram que a “estrutura criminosa era sustentada pela corrupção de agentes públicos, por vínculos com a milícia da zona oeste e por práticas violentas”.
De acordo com o MP, o grupo contava com policiais em desvio de conduta para obter informações privilegiadas e dificultar o avanço das investigações. A investigação teve acesso a conversas em que os denunciados discutiam a execução de milicianos rivais.
Os promotores analisaram dados contidos no celular do policial civil Marcos Eduardo Maia e descobriram um esquema de corrupção envolvendo policiais civis da 35ª DP (Campo Grande).
Como policiais agiam
Segundo a denúncia do Ministério Público, Marcos Eduardo Maia fazia a interlocução com outros policiais civis envolvidos, como Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado, responsáveis por levantar informações de interesse da organização criminosa.
Já Wilson Renato Ribeiro Matheus é apontado como braço direito de Milton, enquanto o policial militar Wendel Vale de Oliveira era responsável por ceder maquinário, especialmente escavadeiras, para o grupo.
Prejuízo de quase R$ 1 milhão
Além de danos ambientais, o MP calcula um prejuízo de mais de R$ 846 mil. Por conta disso, a Promotoria pediu à 2ª Vara Criminal Especializada da Capital o sequestro de bens dos denunciados. Também foi solicitada a suspensão do exercício de funções públicas deles.
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