Rio de Janeiro MP denuncia e pede prisão de Jairinho por tortura a filho de ex

MP denuncia e pede prisão de Jairinho por tortura a filho de ex

Delegacia da Criança e Adolescente vítima já havia indiciado o vereador pelo crime no início do mês

Jairinho está preso desde abril pela morte de Henry Borel, de 4 anos

Jairinho está preso desde abril pela morte de Henry Borel, de 4 anos

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) denunciou o Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, por tortura contra o filho de uma de suas ex-namoradas, a estudante Débora de Mello Saraiva. O vereador, preso pela morte do enteado Henry Borel, de 4 anos, já havia sido indiciado por este crime no início do mês, pela DCAV (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima). Além da denúncia, a promotoria também pediu a prisão preventiva de Jairo.

A investigação da DCAV também indiciou Jairinho por agressão à Débora, no último dia 16. Em entrevista ao Cidade Alerta RJ, o delegado André França disse que Dr. Jairinho é uma "pessoa perigosa" e, por isso, pediu à Justiça a prisão preventiva do vereador.

Segundo as investigações, o vereador sufocou o menino com saco na cabeça e deu pisões em seu abdômen. Em um determinado episódio, a criança teve grave fratura de fêmur, ao tentar fugir do carro do vereador após vomitar no veículo por medo. A criança ficou imobilizada com gesso por cerca de dois meses, incapacitada de se locomover por seis meses. O caso aconteceu em 2016 e o menino tinha 3 anos na época.

Nos documentos enviados pelo Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde a criança foi atendida após a lesão, há relatos de uma psicóloga que afirma que a vítima interagia bem, mas chorava um pouco e dizia que queria ir para casa e que não queria entrar no carro em que se acidentou.

Outros relatos revelam que o menino apresentava dois hematomas na bochecha, sendo um do lado direito e outro do lado esquerdo, bem como assaduras nos glúteos, comprovando não só a fratura, mas também outras agressões sofridas naquele dia.

Falsidade ideológica

No hospital, Jairinho e a mãe da criança alegaram que o fato teria decorrido de "acidente automobilístico", o que fez com que ambos fossem indiciados por falsidade ideológica ao prestarem informação falsa em documento público. O crime tem pena de reclusão de um a cinco anos. Segundo a polícia, Débora, mesmo sabendo dos fatos ocorridos com seu filho, continuou morando em um imóvel no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, que pertencia a Jairinho, local onde ocorreram outras agressões contra a criança posteriormente.

Ela não comunicou os fatos às autoridades, bem como também não o fez à equipe de profissionais de saúde que atendeu a criança no dia da lesão grave. O comportamento é tratado pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) como mera infração administrativa, que será devidamente informada à SMS (Secretária Municipal de Saúde). Débora continuou como amante do vereador até o final de 2020 e, ainda teve alguns encontros esporádicos em 2021.

Indiciado quatro vezes

Jairinho já foi indiciado quatro vezes este ano. Além de ser denunciado à Justiça pela morte do enteado Henry Borel, de 4 anos, no dia 8 de março, e por agredir o filho de Débora, que na ocasião tinha 3 anos, ele também foi responsabilizado pela tortura contra outra criança, filha de uma ex-namorada. O indiciamento mais recente foi por violência doméstica contra Débora.

O vereador está preso desde o dia 8 de abril no Complexo de Bangu, na zona oeste do Rio, pela morte de Henry. A Câmara dos Vereadores vota, nesta quarta-feira (30), se ele terá o mandato cassado ou não.

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