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MP é a favor de investigação sobre estupro coletivo na Delegacia da Criança e Adolescente

Pelo MP, DRCI investigaria somente vazamento do vídeo e não se houve estupro

Rio de Janeiro|Do R7

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O Ministério Público do Rio de Janeiro manifestou neste domingo (29) parecer favorável ao desmembramento do inquérito que investiga o crime de estupro contra uma adolescente de 16 anos, na zona oeste do Rio de Janeiro. O promotor Bruno Lavorato expedirá ofício para que a investigação sobre o estupro seja conduzida pela DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima), e não mais pela DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática), que investigaria somente a divulgação do vídeo.

O promotor também pede uma medida cautelar em favor da adolescente. Segundo a advogada Eloisa Samy, a jovem está sendo procurada por um dos autores do crime, Raphael Belo, de 41 anos. A advogada teme pela integridade física e moral da adolescente.


Já em relação ao afastamento do delegado Alessandro Thiers da DRCI, o MP diz que cabe somente à polícia ou ao Governo do Estado do Rio de Janeiro decidir.

No entendimento de Eloisa, o policial criminaliza a vítima ao questionar se ela teria o hábito de fazer sexo em grupo. A adolescente prestou novo depoimento na noite de sexta-feira (27), quando também foram ouvidos dois homens que disseram que a jovem teria feito sexo consensual com um deles.


Ex-chefe se manifesta

A deputada Martha Rocha (PDT), ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, divulgou na tarde deste sábado (28) nota em repúdio a declarações do delegado. Ela também diz acreditar que falas do agente publicadas na imprensa "criminalizam e culpabilizam" a vítima.


"Quando estamos diante de uma barbárie dessas e o delegado diz que 'está investigando se houve consentimento e que a polícia não pode ser leviana', entendemos porque tantas mulheres deixam de ir às delegacias denunciar casos de abuso sexual e violência", disse ela, que é presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Para ela, a investigação teria de ter a participação da Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher). Em nota à imprensa, a Polícia Civil afirmou que a investigação do caso tem sido feita de forma integrada pelas duas delegacias especializadas — DRCI e DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima).


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Sem atenção

A defesa da jovem de 16 anos vítima de estupro coletivo na zona oeste do Rio teve uma reunião na noite deste sábado (28) com representantes da Coordenadoria de Direitos Humanos e das Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio).

Segundo o coordenador de Direitos Humanos do MP-RJ, Márcio Mothé, a advogada Eloísa Samy Santiago reclamou que a investigação da DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática) não está dando a devida atenção ao crime de estupro, focando-se com mais atenção na questão da divulgação dos vídeos. Mais cedo, Eloísa afirmou que o delegado Alessandro Thiers, titular da DRCI, está criminalizando a adolescente.

— Ele perguntou à vítima se ela tinha por hábito participar de sexo em grupo.

A pedido da Polícia Civil, a OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil do Rio) acompanhará as investigações sobre o estupro. O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, afirmou que representar contra o delegado "faz parte da democracia".

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