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MP-RJ denuncia má gestão em unidade de acolhimento de Niterói

Órgão realizou investigações que mostraram irregularidades no abrigo e apontou estado do Rio como um dos responsáveis

Rio de Janeiro|Márcio Mendes, do R7*

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MP-RJ pede fechamento de unidade de acolhimento
MP-RJ pede fechamento de unidade de acolhimento

O MP (Ministério Público) do Rio de Janeiro pediu à Justiça o fechamento de uma unidade de acolhimento a crianças e adolescentes, localizada em Niterói, região metropolitana do Rio, após constatar que houve maus-tratos aos 22 pacientes — 20 adultos e dois adolescentes.

A equipe responsável pela investigação encontrou diversas irregularidades na unidade, tais como: falta de atividades físicas, deixando os acolhidos o dia inteiro dentro dos quartos; despreparo dos profissionais sobre a situação dos internos; número insuficiente de trabalhadores; falta de contato com as redes municipais de saúde e assistência; falta de transparência sobre os gastos; entre outras denúncias. 

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A ação ainda revelou que um médico psiquiatra passava medicamentos psicotrópicos para 24 das 28 pessoas acolhidas (à época). Os registros de um livro de enfermagem mostraram que a administração do local usava as medicações como forma de controlar a agitação ou a agressividade dos internos. 

Também foram constatadas a falta de transparência e a ocultação pelo abrigo de situações que não foram notificadas à rede de saúde da cidade, como uma tentativa de suícidio de um dos internos. Segundo as investigações, a Secretaria Municipal de Assistência Social do Município de Niterói sabia dos abusos que aconteciam na unidade de acolhimento e que a equipe de saúde mental do município identificou, mais de uma vez, que pacientes eram "dopados". 

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O pedido foi ajuizado na última quinta-feira (20) na Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de Niterói e aponta o estado do Rio de Janeiro como diretamente responsável pelas violações de direitos humanos que ocorrem no local, tendo corresponsabilidade da Fia (Fundação para a Infância e Adolescência) e da Aceni (Associação das Crianças Excepcionais de Nova Iguaçu), cogestoras do abrigo desde o convênio firmado pelo prazo de 32 meses, que supera os R$ 5 milhões. Segundo a ação, a associação não tem experiência na prestação do serviço de acolhimento institucional de crianças e adolescentes.

Em nota enviada ao R7, a Fia (Fundação para a Infância e Adolescência) informa que não foi notificada sobre nenhuma ação do MP.

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As informações prestadas pelo Ministério Público referem-se à antiga gestão do abrigo. A antiga diretoria foi afastada, de forma imediata, em 19 de maio de 2021, após ciência dos fatos. Um registro de ocorrência foi aberto na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) pela FIA para relatar as práticas da então diretora da unidade. O MP foi comunicado das mudanças e das respectivas razões e, desde então, não retornou à unidade para novas vistorias.

A partir da nova gestão, o CICAPD Almir Madeira reformulou os procedimentos aos acolhidos com atendimento individualizado por meio de uma equipe técnica qualificada: cuidadores, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médico, fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo, assistente social, nutricionista e cozinheiros. Além destes, são atendidos pelos profissionais de saúde referenciados do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi), responsáveis pela prescrição dos medicamentos individualizados.

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Na educação, todos os acolhidos em condições de escolaridade frequentam a escola, bem como realizam regularmente atividades externas de informática, dança e atividades lúdicas e participam de passeios dentro dos protocolos de segurança contra a Covid-19.

Destaque-se ainda que, de forma conjunta com a rede Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e Caps (Centro de Atenção Psicossocial), a equipe técnica do CICAPD Almir Madeira trabalha com a reinserção familiar, com algumas já realizadas neste ano de 2022 e outras em processo de reinserção.

O CICAPD Almir Madeira acolhe crianças e adolescentes com múltiplas deficiências e transtornos neurológicos com vínculos familiares rompidos ou fragilizados, que são encaminhados por determinação judicial das varas da Infância e Juventude, responsáveis pelo acompanhamento.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Paulo Guilherme

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