Pezão diz que vai processar delator de esquema do TCE
Segundo delator, Pezão gastou R$ 900 mil em despesas pessoais pagas com dinheiro de propina
Rio de Janeiro|Do R7

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), disse que vai processar o advogado Jonas Lopes Neto, que em delação premiada afirmou que Pezão teve R$ 900 mil em despesas pessoais pagas com dinheiro de propina do esquema do Tribunal de Contas do Estado.
— É uma mentira deslavada. Nem conheço Jonas Lopes Neto. Tenho muita tranquilidade quanto a essas acusações. Quem conhece meu padrão de vida, sabe. Nem meus quatro anos de salário chegam a um dinheiro desses. A única coisa que eu sei é que vou processá-lo.
O governador confirmou que participou de reuniões com conselheiros do TCE. Segundo a delação de Jonas Lopes Filho, conselheiro do TCE licenciado, o encontro teria ocorrido para negociar valores de propinas para os integrantes da corte. Pezão nega.
Segundo a versão do governador, havia recomendação da Procuradoria-Geral do Estado para submeter todos os editais de obras previamente ao TCE.
— Essa reunião foi para cobrar (celeridade na apreciação dos editais). Corríamos até risco de perder recursos do governo federal (por causa dos atrasos).
Perguntado como se sente em relação à situação política do Estado, após a prisão de ex-governadores e ex-secretários, Pezão afirmou que as investigações fazem "parte da democracia". Mas não acredita que a crise aberta pela Lava Jato tenha fragilizado o Rio na negociação de acordo de recuperação fiscal com o governo federal, que pode aliviar as contas do Estado. Ele acredita que o texto do projeto será votado pela Câmara na terça-feira (11).
O governador esteve na Justiça Federal para prestar depoimento como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral em ação que corre em Curitiba. Ele falou por vídeo conferência. Segundo Pezão, não houve perguntas do juiz Sergio Moro. Apenas uma do Ministério Público e outras de advogados de Cabral.
O governador reafirmou a amizade com Cabral e disse que respeita a família do ex-governador.
— Que se dê o direito de defesa dele. Se errou, as penas têm que ser cumpridas. Claro que não é uma situação confortável. Sempre gostei muito do Sérgio.
Perguntado se os R$ 300 milhões supostamente desviados por Cabral, segundo acusação do Ministério Público, não fazem falta, respondeu: "Tudo faz falta. Qualquer milhão faz falta".
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