Operação da PF contra suspeitos de lavar R$ 7,6 bilhões em postos do RJ mira ex-prefeito e delegado
Esquema teve participação de agentes públicos; policiais cumprem 19 mandados, em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital
Rio de Janeiro|Do R7, no Rio de Janeiro e Natália MartinsOpens in new window
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A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, para desarticular uma quadrilha suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis da região metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro, com participação de agentes públicos.
A reportagem apurou que, entre os alvos, estão o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) — presidente do União Brasil e pré-candidato ao Senado pelo partido, por indicação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — e o delegado da PCRJ (Polícia Civil do Rio de Janeiro) Marcus Amim, ex-chefe da corporação.
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As investigações revelaram que a quadrilha teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, segundo RIF (Relatório de Inteligência Financeira) emitido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e encaminhado à PF.
Os investigados devem responder, inicialmente, pelos delitos de organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.
As equipes policiais cumprem 19 mandados de busca e apreensão, nos municípios fluminenses de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e do Rio de Janeiro.
A ação desta manhã inclui, ainda, o cumprimento de ordens judiciais para sequestro de bens e suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.

Por meio de nota, o Coaf detalhou que os RIFs são elaborados após a análise de comunicados sobre operações consideradas suspeitas ou atípicas. Esses avisos são repassados ao conselho pelos setores obrigados, como estabelece a legislação.
“Quando o Coaf identifica movimentações relevantes, encaminha os RIFs às autoridades competentes, como a Polícia Federal e o Ministério Público. Esses órgãos poderão usar os relatórios para subsidiar eventuais investigações. O conselho atua como unidade de inteligência financeira e não tem atribuição para conduzir apurações criminais”, destacou o colegiado, no texto.
A força-tarefa integra a Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas com atuação no estado do Rio de Janeiro. As ações ocorrem em conformidade com o estabelecido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 635 — conhecida como ADPF das Favelas.
A reportagem tenta contato com as defesas dos investigados. O espaço está aberto para manifestações.
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