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Polícia faz megaoperação contra lavagem de dinheiro no RJ

Agentes cumprem 46 mandados no Rio, Baixada e no Paraná

Rio de Janeiro|Do R7*

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Uma operação da Polícia Civil busca cumprir 46 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (4), no Rio, na Baixada Fluminense e no Estado do Paraná. Segundo as investigações, os criminosos montaram um esquema para lavar dinheiro através da compra de vales refeição, alimentação e transporte de trabalhadores do Estado do Rio. Apenas uma das quadrilhas teria movimentado mais de R$ 12,5 milhões em dois meses.

Ao todo, cerca de 90 pessoas físicas e jurídicas com movimentações suspeitas são investigadas na Operação Fantoche, resultado de uma ação conjunta da Polícia Civil com o Ministério Público do Rio. Os envolvidos no esquema serão indiciados por lavagem de dinheiro, associação criminosa, falsidade ideológica e crime contra a economia popular. Segundo a polícia, essa é apenas a primeira etapa da operação. As investigações continuam para identificar outras quadrilhas envolvidas no mesmo tipo de crime.

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Como funcionava o esquema

De acordo com a Delegacia de Defraudações da Polícia Civil, os grupos usavam empresas fantasmas, de fachada e "laranjas" para movimentar as quantias recebidas com a compra de tíquetes em escritórios espalhados por todo Estado. Os mandados estão sendo cumpridos em endereços comerciais e residenciais nos bairros de Copacabana, Botafogo, Largo do Machado, Centro, Jacarepaguá, Campo Grande e Bangu, na capital, e ainda nas cidades de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita e Nilópolis, na Baixada Fluminense, além das buscas em Londrina, no Paraná.

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As investigações apontam que os chamados "tiqueteiros" abrem empresas de fachada do ramo alimentício para conseguir, com as operadoras de cartão, maquininhas que aceitam vale alimentação e refeição. Eles, então, enviam esses equipamentos para escritórios, que, geralmente, também comercializam ouro, onde é feita a compra dos benefícios dos trabalhadores. Segundo a Polícia Civil, muitos nem se preocupam em esconder a ação criminosa e usam cartazes e placas para divulgar a comercialização dos tíquetes. Por cada transação, é cobrada do trabalhador uma taxa que varia de 15% a 18%. Parte dessa quantia fica para o escritório e a restante vai para os responsáveis pelas empresas fantasmas e de fachada, que transferem os valores para empresas legais, pessoas físicas e até instituições religiosas.

Há casos, segundo a Polícia Civil, de uma distribuidora de alimentos registrada em um endereço que não existe e que movimentou mais de 700 mil reais em um mês; de padarias que não têm sequer um funcionário e movimentaram mais de 1 milhão de reais por mês; e de uma mercearia que, no mesmo período, fez transações de mais de 2 milhões de reais, incompatíveis com seu faturamento. Há ainda três lanchonetes que figuram como ativas e estão registradas todas no mesmo endereço;

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No caso dos vales transporte, o esquema é diferente. Os trabalhadores deixam nos escritórios seus cartões. Estes são recolhidos por atravessadores, que os levam até empresas de ônibus e vans coniventes com o esquema, onde os créditos são descarregados. A taxa cobrada do trabalhador na transação chega a 50%. Desses, parte fica com a viação, uma com o dono do escritório e outra com o atravessador. O bilhete é devolvido ao trabalhador dias depois. Em alguns escritórios, o tempo para devolução do vale transporte chega a 30 dias úteis.

Todo material apreendido e os envolvidos estão sendo levados para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, zona norte da cidade

Jaqueline Suarez, estagiária do R7 Rio

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