Rio de Janeiro Por que o segurança não é culpado por morte do garoto em mercado?

Por que o segurança não é culpado por morte do garoto em mercado?

Os culpados são aqueles que o jogaram diante daquele garoto e sem prepará-lo, ofereceram apenas uma rotina de violência e estresse

  • Rio de Janeiro | Celso Fonseca, do R7

Com mata-leão, segurança matou jovem

Com mata-leão, segurança matou jovem

Reprodução/Record TV Rio

O tapa na cara do dia, e têm sido muitos a estalar nos nossos rostos neste ano de 2019, veio do Rio de Janeiro. Com um “mata- leão”, aquele golpe popular nas artes marciais usado para imobilizar e sufocar o oponente, o segurança de um hipermercado na Barra da Tijuca matou na tarde de quinta-feira (14) um garoto de 19 anos.

Segurança mata jovem com “mata-leão” em hipermercado do Rio

O garoto estava acompanhado da mãe e supostamente teria tentado roubar a arma do segurança, que reagiu de acordo com os seus instintos. A imagem do garoto, imobilizado, numa agonia a conta-gotas, correu a internet e, mais uma vez, o país se revestiu de indignação com a violência desmedida que diariamente nos paralisa.

Levado à delegacia, o segurança foi solto depois de pagar fiança. O garoto, que supostamente teria problemas mentais e antes de morrer teria simulado uma convulsão, também teria problemas com drogas. Também tinha um sonho, ir ao Rock in Rio.

Ao ver o segurança solto, os palpiteiros de plantão tocaram suas justas trombetas contra a impunidade. Mas seria mesmo aquele segurança o culpado pela morte? Uma reflexão mais acurada mostraria que não. Um salário diminuto e uma vida certamente difícil, fazem que algoz e vítima se unam nessa cadeia de infortúnios. O segurança não recebeu preparo ou quem sabe recebeu apenas orientações tortas para ocupar uma função, que em tempos de tanta tensão é absolutamente essencial e estratégica para a rotina de um estabelecimento daquele tamanho, com uma circulação enorme de clientes, numa cidade costumeiramente conflagrada.

Mas ele, para os olhos de todos, é apenas o segurança, o homem sem treinamento adequado obrigado a ser protagonista em momentos decisivos quando esperam que ele aja com a habilidade de um agente do Mossad ou de um oficial da Swat. Mas ele é apenas o segurança, que ao seu modo, e como aprendeu tortamente, escorraça gente igual a ele de um hipermercado, e convive com a violência e o estresse com as poucas armas que sabe, ou lhe ensinaram, a usar. Por mais trágico que possa parecer, o segurança não é o culpado e sim quem o jogou ali diante daquele garoto.

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