Professores da Uerj decidem em assembleia continuar em estado de greve
Universidade está cerca de três meses com aulas paralisadas por conta da crise
Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

Após quase três meses de paralisação, o primeiro dia de aulas do 2º semestre de 2016 da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) começou nesta segunda-feira (10), mas os professores decidiram, em assembleia realizada nesta tarde, continuar em estado de greve.
Além dos salários de fevereiro, março e o 13º atrasados, os docentes reclamam da falta de infraestrutura e limpeza nas unidades. No Campus João Lyra Filho, no Maracanã, zona norte, três dos 12 elevadores estão quebrados e a manutenção dos demais foi interrompida por falta de pagamento.
O reitor Ruy Garcia Marques explicou nesta manhã que os recursos financeiros para o pagamento de serviços terceirizados não estão sendo repassados pelo governo do estado, mas que a maioria das empresas contratadas por licitação pública garantiu a prestação dos serviços para a manutenção básica da universidade. Entre os serviços terceirizados estão os de limpeza, segurança, manutenção de elevadores, contratação de ascensoristas e jardineiros para o campus do Maracanã e as 13 unidades externas. Os serviços do Restaurante Universitário do Campus João Lyra Filho também estão sendo renegociados para que retornem no prazo de 20 a 30 dias.
A instituição tem 9,8 mil alunos cotistas e 8 mil bolsistas que ganham R$ 450,00 mensais. De acordo com a reitoria da Uerj, algumas bolsas, como a Prociência, não vêm sendo pagas desde outubro de 2016. Com isso, muitos servidores e alunos estão impossibilitados de exercer sua atividade normal por falta de recursos financeiros, inclusive para pagamento de transportes e de alimentação.
As aulas do 2º semestre foram remarcadas seis vezes pela reitoria devido à falta de condições básicas para o funcionamento dos campi da universidade.
Em nota, a Asduerj (Associação de Docentes da Uerj) afirmou que a universidade não tem condições de retornar às atividades regulares. Eles alegam que muitos estudantes não teriam condições de se deslocarem até à Uerj devido ao não pagamento de suas bolsas, que estão atrasadas há dois meses. Além disso, a associação também diz que os professores e servidores técnico-administrativos seguem sem previsão de pagamento de seus vencimento atrasados, como o 13º salário de 2016 e os salários de fevereiro e março deste ano.
Diferente do afirmado pelo governo estadual e pela reitoria, a Asduerj também diz que o RU (Restaurante Universitário) ainda não está funcionando e não há previsão de quando voltará à exercer suas atividades, assim como, os serviços de limpeza e manutenção não teriam sido plenamente restabelecidos na UERJ. A reitoria, por sua vez, se manifestou por meio de nota, informando que realizou negociações com as empresas terceirizadas responsáveis por esses serviços, aos quais elas teriam se comprometido em retomar as suas atividades. Ela informou ainda que o RU deve voltar a atender à comunidade acadêmico dentro de 30 dias.















