Quem é o vereador Salvino Oliveira, preso em operação contra o Comando Vermelho
De origem humilde na Cidade de Deus ao posto de secretário mais jovem do Rio, trajetória de Salvino
Rio de Janeiro|Do R7

O vereador Salvino Oliveira Barbosa (PSD), de 27 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira (11) durante a Operação Contenção Red Legacy, da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ação investiga a estrutura do Comando Vermelho (CV) e a relação de agentes públicos com a facção, mas antes de mergulhar no caso policial, é importante entender quem é o jovem político que se tornou um dos nomes emergentes da capital.
Origem humilde e trajetória de superação
Nascido e criado na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, Salvino se apresenta publicamente como exemplo de ascensão social. Desde cedo enfrentou dificuldades financeiras e, ainda criança, aos 7 anos, conseguiu uma vaga no tradicional Colégio Pedro II por meio de sorteio. Para continuar estudando, ele trabalhou em diversos bicos desde a adolescência, incluindo: venda de água em sinais, venda de balas em ônibus, recepcionista em casa de festas, ambulante de rua.
Salvino é formado em Gestão Pública pela UFRJ e também atuou como pesquisador no Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), voltado a temas como violência urbana e políticas públicas.Também passou pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, onde fez estágio antes de ingressar na vida política.

Ascensão política: secretário mais jovem da história do Rio
Em 2020, ele se aproximou de Eduardo Paes durante a campanha eleitoral. Em 2021, já no terceiro mandato de Paes, Salvino foi convidado a assumir a recém-criada Secretaria Especial da Juventude Carioca (JUVRio) — tornando-se o mais jovem secretário da história da cidade.
Vereador entre os mais votados da cidade
Em 2024, Salvino disputou sua primeira eleição e foi eleito vereador com mais de 27 mil votos, ficando entre os mais votados do pleito. Ele assumiu a cadeira em janeiro de 2025, representando o PSD.
A prisão: o que diz a investigação
De acordo com a Polícia Civil, Salvino teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como um dos principais chefes do CV nas ruas, para obter autorização para realizar campanha eleitoral na Gardênia Azul, comunidade dominada pela facção.

Em troca, segundo a investigação, o vereador teria articulado benefícios públicos que favoreciam interesses do grupo criminoso, apresentados como ações sociais — entre eles: instalação de quiosques na região, distribuição de vagas definida por integrantes da facção, sem transparência.
Salvino vira alvo central em ação que também investiga rede ligada a Marcinho VP
A operação identificou ainda a participação de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, histórico líder do CV.

Segundo a investigação:
- Márcia Gama, esposa de Marcinho VP, atuava na articulação de interesses do grupo fora do presídio.

- Landerson, sobrinho do traficante, seria o elo entre lideranças, operadores externos e atividades econômicas usadas para geração de recursos.
- Ambos são considerados foragidos.
Além disso, a polícia afirma ter encontrado indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o PCC, ampliando o nível da investigação.
O que diz o gabinete de Salvino
Até o momento, o vereador e sua equipe jurídica não tiveram acesso ao processo. Um novo comunicado será emitido assim que possível.
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