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Rio terá delegacia especializada para combater crimes raciais e de intolerância

Na quinta-feira (3), ganhou repercussão o caso do refugiado sírio Mohamed Ali, vítima de intolerância na zona sul do Rio

Rio de Janeiro|Agência Brasil

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O secretário estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, Átila Nunes, recebeu nesta sexta-feira (4) o aval do governador Luiz Fernando Pezão para dar seguimento ao processo de estruturação e criação da Decradi (Delegacia de Combate a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), em conjunto com a Polícia Civil.

Nunes destacou a gravidade dos casos de intolerância no Estado do Rio de Janeiro. “O que a gente vem percebendo é a profundidade desses casos. São casos, inclusive, como foi o da Casa do Mago, que passam a ser quase uma tentativa de homicídio.” Na última segunda-feira (31), houve uma tentativa de incêndio na Casa do Mago, tradicional centro espiritual localizado no Humaitá, zona sul da cidade. Na quarta-feira (2), criminosos jogaram uma bomba no local.

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A transexual Amanda Castro relatou ter sido vítima de agressão transfóbica, no último dia 26. No caso de pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), Átila salientou que são muitos os casos de agressão séria que “podem, inclusive, levar a óbito a vítima”.

Na quinta-feira (3), ganhou repercussão o caso do refugiado sírio Mohamed Ali, que trabalha como vendedor ambulante em Copacabana, também na zona sul, e foi vítima de intolerância. “Foi agredido de forma não só verbal, mas ameaçado fisicamente”, observou o secretário que vê, nesse caso, até uma agressão psicológica.

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Resultados positivos

Nunes acredita que a criação da Decradi trará dois resultados positivos. O primeiro é que, com uma delegacia especializada, haverá profissionais preparados para atender os casos de crimes de ódio como um todo, pois “já traz uma qualificação que ajuda muito na apuração desses casos.”

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A criação da delegacia também será importante porque a vítima de intolerância poderá ter certeza de que vai encontrar um ambiente muito mais acolhedor para fazer o registro. “Eu considero, inclusive, que a criação dessa delegacia é um divisor de águas, como foram as delegacias especializadas no atendimento às mulheres”, disse o secretário.

Na semana que vem, Átila Nunes pretende se reunir com o chefe da Polícia Civil, Carlos Augusto Leba, para proceder à operacionalização da delegacia. Nunes considera que, para a secretaria, vai ser um “ganho gigantesco”, porque um dos trabalhos do órgão é encaminhar as vítimas de crimes raciais e intolerância religiosa para as delegacias para efetivar o registro. Com a Decradi, o encaminhamento será feito de forma mais prática, segundo ele.

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De acordo com dados do serviço Disque 100, foram registradas 79 denúncias de crimes de intolerância religiosa no Rio de Janeiro em 2016, aumento de 119% em comparação ao ano anterior.

A Secretaria de Direitos Humanos oferece assistência psicológica, social e jurídica às vítimas de intolerância religiosa no Rio de Janeiro. Denúncias podem ser feitas à Superintendência de Igualdade Racial e Diversidade Religiosa pelo telefone (21) 2334-5540.

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