RJ registrou cerca de dois casos de racismo por dia em 2019, diz estudo

Estudo inédito do ISP aponta que 58,2% das vítimas de discriminação racial no Estado eram mulheres; na capital, bairros da zona oeste lideraram registros

Rio teve protesto contra racismo e violência policial em junho

Rio teve protesto contra racismo e violência policial em junho

Ricardo Moraes/Reuters - 07.06.2020

O ISP (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro) lançou nesta quinta-feira (19) o Dossiê de Crimes Raciais que aponta que, em 2019, 844 pessoas foram vítimas de discriminação racial no Estado do Rio de Janeiro, sendo que 766 se declaravam negras. Em média, duas pessoas sofreram racismo por dia, segundo o instituto.

De acordo com o estudo, 58,2% das vítimas são mulheres e quase um terço do total tinha entre 40 e 59 anos, enquanto 8,7% tinha até 17 anos. Em 46,3% dos casos, os autores eram conhecidos das vítimas e 45,8% dos autores também eram mulheres.

A pesquisa também aponta que em 43,3% dos registros foram de ofensas fora de casa, seguido pela residência, com 27,1%, e pela internet, com 5,5%.

Durante a pesquisa, os analistas realizaram leitura de 3.000 registros de ocorrência e constataram que as ofensas verbais mais praticadas contra as vítimas usaram as palavras “macaco (a)”, “negra”, “preto (a)” e “cabelo duro”. Segundo o ISP, além do fenótipo, reliões de matriz africana e o passado escravagista foram usados para depreciar as vítimas.

Esse é o primeiro estudo sobre registros de injúria racial realizado por um governo no país, segundo o ISP. Como fonte, o instituto utilizou 3.000 registros realizados entre 2018 e 2019 nas delegacias da Polícia Civil do Rio.

Regiões

A maior parte dos casos foram registrados na capital, seguida pelo interior, Baixada Fluminense e Grande Niterói. No Rio, os bairros com mais registros foram Recreio dos Bandeirantes, com 36, Barra da Tijuca, com 30, e Taquara, com 23 casos. Os bairros ficam todos na zona oeste.

Fora do Rio, as outras cidades que mais registraram casos foram Teresópolis, Petrópolis e a região central de Niterói, com 22, 17 e 16 vítimas respectivamente.