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Sequestro de ônibus: refém diz que renasceu e comemora Dia das Mães com churrasco

Rafaela Lobo relatou os momentos de tensão sob ameaça de sequestrador na av. Brasil

Rio de Janeiro|Do R7

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Rafaela comemora o fim do sequestro com os pais e amigos em churrasco neste domingo (11) Dia das Mães
Rafaela comemora o fim do sequestro com os pais e amigos em churrasco neste domingo (11) Dia das Mães

O domingo é de comemoração em dobro na casa de Rafaela Lobo, de 17 anos. A estudante ficou no sábado (10) em poder de um sequestrador por mais de duas horas em um ônibus na avenida Brasil. Em Anchieta, na zona norte do Rio, a adolescente reuniu neste domingo (11) parentes e amigos para um churrasco.

— Além do Dia das Mães, hoje para mim é um renascimento.


A mãe de Rafaela, Denise Lobo, que acompanhou de perto as negociações para libertação da filha, afirmou ao R7 que "não tem como descrever o que senti [quando a jovem foi libertada], foi alívio e alegria. Só tenho a agradecer a Deus".

A jovem relembrou os momentos de tensão sob a mira de uma tesoura, usada por Paulo Roberto Ferreira da Silva, de 33 anos, para fazê-la refém.


— Ele subiu no ônibus em Deodoro [zona oeste] e sentou lá atrás. Passou uns 20 minutos e, quando estava perto do shopping, ele anunciou o sequestro. Se levantou muito rápido e disse que era um sequestro, que queria a atenção da mídia e da família. As pessoas saíram correndo e ele me pegou. Disse que não ia me machucar: era acreditar ou entrar em pânico. 

A estudante disse que procurou conversar com o criminoso para que ele se mantivesse calmo. Para ela, Silva não tinha a intenção de assaltar o coletivo. O sequestrador se lembrou da filha e do Dia das Mães durante a conversa.


Já o pai da jovem disse que, ao ser avisado pela filha por telefone de que o sequestro estava em curso, pensou se tratar de um trote. Ainda abalado com a violência, Cosme lembrou que a filha disse ao telefone: "Socorro, pai".

— Ela ligou e disse: 'Pai, tô aqui. O ônibus foi sequestrado'. Achei que fosse um trote e desliguei. Liguei para casa e ela não tinha chegado.


Histórico policial

O sequestrador tinha passagens pela polícia. Contra ele foi cumprido um mandado de prisão pendente, expedido pela Justiça em 2013, por roubo. Silva tinha quatro passagens pela polícia — três por roubo e um registro por resistência e porte de droga.

Na 39ª DP (Pavuna), foram ouvidas as vítimas (o motorista do ônibus e a jovem), o suspeito, os policiais militares e a companheira de Paulo. A perícia do coletivo foi realizada em frente à delegacia. Imagens de câmeras de monitoramento do ônibus foram solicitadas para análise. O preso é encaminhado neste domingo (11) à Seap (Secretaria de Administração Penitenciária).

Preso em flagrante pelos crimes de sequestro qualificado e ameaça, Silva fez duas pessoas reféns. O sequestro durou cerca de duas horas e meia e terminou com os reféns liberados e o sequestrador preso.

Segundo os policiais, ele estava completamente transtornado durante a ação, e parecia estar sob efeito de drogas. Ele é usuário de crack. O sequestrador se entregou após receber do negociador um colete à prova de balas.

O sequestrador manteve uma tesoura apontada para a jovem durante o sequestro. A Polícia Militar informou ainda que Paulo Roberto Ferreira da Silva não chegou a anunciar um assalto. Ele teria ordenado ao motorista que parasse o ônibus e que os passageiros descessem. Com a aproximação de uma viatura policial, ele teria feito a jovem de refém.

Impedido de deixar o coletivo, o motorista acabou por auxiliar os negociadores a acalmar o sequestrador. Eles teriam feito uma oração antes de deixar o ônibus.

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