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Sérgio Cabral admite ter recebido propina de cervejaria

Ex-governador do Rio foi interrogado nesta terça-feira (26); proprietário do Grupo Petrópolis foi citado como integrante do esquema de corrupção

Rio de Janeiro|Da Agência Brasil

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Cabral admitiu propina do Grupo Petrópolis
Cabral admitiu propina do Grupo Petrópolis

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral admitiu oficialmente, pela primeira vez, que recebia propina do Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava.

Ele foi interrogado nesta terça-feira (26) pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, que cuida dos desdobramentos da Lava Jato no Estado.

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Desde que trocou de advogado, Cabral tem adotado uma postura colaborativa, ao admitir fatos que antes negava ou interpretava de forma diferente.

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“A [cerveja] Itaipava, o Grupo Petrópolis, tinha propina. Houve ajuda em campanha eleitoral. E, de fato, havia esse recurso. Como o Carlos Miranda [operador financeiro de Cabral e réu colaborador] falou no depoimento dele”, disse Cabral, sem dar maiores detalhes de quantias.

Ele citou ainda o proprietário do Grupo Petrópolis, Walter Faria, como integrante do esquema de corrupção, e insinuou que teria mais informações sobre isso, caso o MPF (Ministério Público Federal) tenha interesse em ouvir.

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No final do ano passado, Miranda disse que o Grupo Petrópolis pagava mesada de R$ 500 mil ao grupo de Cabral, para ter facilidades tributárias. Cabral ainda foi questionado por Bretas sobre o recebimento de propina por parte da rede de supermercados Prezunic, que depois foi comprada por um grupo chileno. No entanto, o ex-governador negou que tenha recebido propina.

“Em relação ao Prezunic, não houve qualquer tipo de entrega de propina. Essa relação começou quando eu era presidente da Assembleia Legislativa e houve uma tentativa, de alguns deputados, de extorsão ao grupo que o seu Joaquim liderava. Eu impedi aquilo. Ele ficou muito grato e passou a me ajudar em campanhas eleitorais, principalmente a de 2002 e a de 2006. Foi um contribuinte importante com caixa dois”, contou Cabral.

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Grupo nega

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Grupo Petrópolis informou que não obteve qualquer benefício fiscal ou financeiro durante o governo de Sérgio Cabral.

"A empresa sempre atuou de acordo com a legislação e suas relações com o Estado do Rio de Janeiro foram pautadas pelos critérios de geração de empregos para a região, razão pela qual nunca precisou de qualquer subterfúgio para atuar no Estado”, informou o grupo em nota.

O grupo controlador do Prezunic se manifestou, também através de nota: "O Cencosud, detentor da Prezunic desde 2012, quando assumiu a operação desta rede no Rio de Janeiro, conforme já havia esclarecido anteriormente, confirma que desconhece qualquer pagamento feito de forma irregular e está à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento adicional que se faça necessário".

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