Suspeito de gravar vídeo de estupro de adolescente e jogador de futebol são presos no Rio
Raí de Souza se apresentou à DCAV e Lucas Perdomo pretendia dar entrevista
Rio de Janeiro|Do R7

A Polícia Civil informou nesta segunda-feira (30) que Raí de Souza, suspeito de gravar vídeo de violência sexual contra uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro, se apresentou à DCAV (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima). Contra ele havia um mandado de prisão temporária. Raí deve prestar depoimento à delegada Cristiana Onorato, que comanda as investigações, na tarde de hoje.
O advogado de Raí, Alexandre Santana, afirmou que o suspeito se apresentou por não ter nada a ver com o crime. O defensor negou que Raí tenha gravado o vídeo, mas admitiu que as imagens foram registradas no celular dele. O advogado informou que um homem chamado Jeferson, que seria traficante, foi o autor do vídeo.
Também foi preso na tarde de hoje o jogador de futebol Lucas Perdomo Duarte Santos, que teria tido um relacionamento com a vítima. O advogado dele, Eduardo Antunes, convocou jornalistas para uma entrevista em um restaurante na rua Santa Luzia, centro, quando policiais chegaram e prenderam o suspeito de estupro. Antunes disse, após a prisão de Lucas, que o conceito de estupro está ganhando uma "elasticidade indevida" nos últimos tempos. O defensor justificou a convocação da coletiva antes da apresentação do jogador de futebol porque gostaria que Lucas desse a versão dele dos fatos. Ele reforçou que Lucas não tem envolvimento no crime.

Outros quatro suspeitos que tiveram a prisão decretada pela Justiça são procurados. Eles são Marcelo Miranda da Cruz Correa e Michel Brasil da Silva — ambos suspeitos de divulgar o vídeo em redes sociais —, Sergio Luiz da Silva Junior (chefe do tráfico da região da Praça Seca) e Raphael Assis Duarte Belo por suspeita de estupro.
— Está provado, não pelo laudo, mas com outras provas. Quais? O vídeo. O vídeo prova o abuso sexual, além do depoimento da vítima.
Segundo a responsável pelas investigações, a polícia quer descobrir agora quantos suspeitos participaram da ação. Apesar de o vídeo não mostrar a identidade dos suspeitos, o registro revela que há mais de uma pessoa no local, o que já configuraria abuso sexual coletivo, segundo a delegada. Cristiana disse que, além de ser vítima da violência, a adolescente ainda está sendo "criminalizada".
— A minha convicção é de que houve estupro, até porque o vídeo mostra o rapaz manipulando a menina. O que quero provar é a extensão desse estupro se foram cinco, dez ou 30. A gente quer determinar quantas pessoas praticaram esse crime.
O laudo do exame feito no IML (Instituto Médico Legal) não revelou indícios da violência em razão do tempo que se passou desde o estupro. A adolescente foi abusada na madrugada do domingo (22), mas o exame só foi realizado na quinta-feira seguinte (26). Adriane Rego, subdiretora do IML, falou sobre o prejuízo do exame.
— Após 72 horas, o organismo destrói os espermatozóides. Muito dificilmente será encontrado depois desse tempo. Não é possível determinar quantos estupradores abordaram determinada vítima pelo exame pericial.
Para a delegada, no entanto, o exame de corpo de delito é importante, mas não determinante.
— Se ela estava desacordada, não vai ter lesão porque ela não ofereceu resistência. Pra mim, [o exame] é importante, mas não determinante para a minha convicção.















