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Universitárias denunciam assédio sexual e agressões nos Jogos Jurídicos do Rio de Janeiro

Evento que reúne as maiores universidades de Direito do Estado ocorreu neste feriado

Rio de Janeiro|Do R7

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Questionado sobre o conteúdo machista das músicas, estudantes ironizam: "Me prenda!"
Questionado sobre o conteúdo machista das músicas, estudantes ironizam: "Me prenda!"

Ao menos 50 estudantes de universidades públicas e privadas do Rio de Janeiro relataram terem sido vítimas de agressões verbais, físicas e assédio sexual durante os Jogos Jurídicos Estaduais. Entre a quinta-feira (4) e o domingo (7), atletas e torcedores de ao menos sete universidades se reuniram para os jogos universitários que ocorreram em Nova Friburgo, região serrana do Rio.

Além da competição nas quadras, os estudantes participaram de festas durante os quatro dias. Maria, nome fictício de uma estudante de direito da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) — as garotas ouvidas pelo R7 preferiram não ter as identidades reveladas —, conta que sofreu uma “sucessão de violências”.


— Quando uma amiga e eu negamos beijar um garoto, ele jogou todo o copo de bebida em cima de mim. Momentos depois, outro garoto tentou me beijar à força, eu me recusei e ele me deu um soco nas costas. Eu só consegui me livrar e sair correndo porque ele estava muito alterado. Na confusão, perdi o meu celular. Enquanto tentava anunciar a perda no palco, senti outro garoto colocando a mão entre minhas pernas. Foi tudo muito surreal.

A estudante pretende registrar a ocorrência em uma Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) da capital fluminense.


— A maioria de nós não conhecia a cidade [Nova Friburgo] e dependia das atléticas para fazer o translado. Por isso, não conseguimos registrar ocorrências lá.

O assédio sexual foi recorrente durante todo o evento, segundo relatou Joana, nome fictício de uma estudante de Administração da Unirio.


— Era praticamente impossível beijar a minha namorada sem nenhum cara tentar se intrometer. Não foram quatro ou cinco, foram muitos e em todas as festas. Um deles, inclusive, partiu para cima da gente. 

Ana, nome fictício de uma estudante de direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas), também contou ao R7 o medo durante uma das festas.


— Quando eu fui pegar a cerveja, um garoto perguntou meu nome e eu não quis responder. Então ele me chamou de vagabunda. Foi tanta agressividade que eu fiquei com medo de apanhar.

Um grupo de estudantes da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) relatou que um estudante da Uerj ficou nu em frente a elas e exigiu que fizessem sexo oral.

Campanha divulgada antes e durante os Jogos Jurídicos para evitar o machismo nas músicas e nas festas do evento
Campanha divulgada antes e durante os Jogos Jurídicos para evitar o machismo nas músicas e nas festas do evento

Jogos Sem Machismo

Antes dos jogos, algumas estudantes lançaram a campanha “Jogos Sem Machismo” para conscientizar as bandas e as atléticas sobre o conteúdo machista de algumas músicas que animam a torcida. Durante o evento, houve distribuição de adesivos sobre o tema. Segundo as estudantes, algumas universidades tentaram adaptar o conteúdo dos cantos.

— Algumas delegações moderaram nas músicas machistas, a atlética de Direito da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) baniu e proibiu músicas que citavam estupro e agressões, mas, como não é possível haver controle sobre todos os estudantes, algumas músicas continuavam a ser cantadas.

As estudantes ouvidas pela reportagem foram unânimes em dizer que não tiveram apoio da segurança do evento. Maria, inclusive, afirma que houve deboche ao buscar ajuda.

— Os alojamentos não possuíam segurança. Eram galpões com cerca de cem barracas. Alguns alojamentos eram mistos com várias faculdades.

A empresa Rio Universitário, responsável pelas festas, informou que a empresa de segurança era terceirizada e se dispôs a colaborar com imagens de câmeras de segurança do evento. Confira a nota na íntegra:

"Nossa orientação é a remoção do evento em qualquer tipo de agressão e esse episódio não nos foi informado. Na nossa visão, o controle da segurança é primordial para a realização do evento. Tivemos um recorde de celulares perdidos devolvidos pela equipe contratada e nenhum caso de furto reportado. Repudiamos qualquer tipo de atitude desse tipo e estamos a disposição para qualquer esclarecimento."

Sem medo

No mesmo período, ocorreu em Vassouras, município do Sul Fluminense, o Jucs (Jogos Universitários de Comunicação Social). Ao contrário do que aconteceu nos Jogos Jurídicos, estudantes não hesitaram em cantar músicas com apologia ao estupro.

Em uma página do Facebook relacionada ao evento, uma mensagem anônima repudiou os cantos das torcidas. Em resposta, alunos reiteraram o conteúdo das músicas (veja na primeira imagem desta reportagem) e afirmaram que da próxima vez “irão fazer pior”.

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