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Uruguai nega asilo e ativista deixa consulado de carona em carro de deputada estadual

Acusada ouviu da cônsul-geral que Brasil é Estado democrático de direito’

Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Estado

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Fora do consulado, manifestantes apoiaram ativistas
Fora do consulado, manifestantes apoiaram ativistas

Considerada foragida, a ativista Eloisa Samy, o ativista David Paixão e a namorada dele deixaram o Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira (21), afirmou a deputada Janira Rocha. A parlamentar acompanha o caso. Eloisa, Paixão e a adolescente pediam asilo político ao País vizinho. Após ter a solicitação rejeitada, deixou o local no carro oficial da deputada estadual.

À tarde, dois policiais foram ao prédio e um deles se identificou como tenente da PM, mas a entrada não foi permitida. Cerca de 50 militantes passaram a tarde na frente da representação diplomática, em solidariedade.

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Eles confeccionaram cartazes e agitaram bandeiras do Uruguai e da Palestina.

O governo brasileiro ignorou o pedido de asilo. Planalto, Itamaraty e Ministério da Justiça evitaram se pronunciar. A justificativa foi de que todas as ações e pronunciamentos caberiam ao governo uruguaio.

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A reportagem do jornal O Estado de S.Paulo conversou com a advogada Eloisa, que se diz "perseguida política", pouco depois de ela ter sido recebida pela cônsul-geral Myriam Fraschini Chalar.

— Ela (Myriam) veio falar comigo, perguntou o que estava acontecendo e disse: ‘O Brasil é um Estado democrático de direito’. (Eu respondi que) O problema não é o Brasil, o problema é o Estado do Rio, a Justiça, que está agindo como um verdadeiro Estado de exceção, contando com a cumplicidade e o silêncio do governo federal. Meu problema não é o governo federal, é o governo estadual e a omissão do federal. Não vi outra solução a não ser o asilo político.

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Acusações

Ela nega as acusações feitas pela Polícia Civil no inquérito iniciado em 2013, que foram respaldadas pelo Ministério Público na denúncia entregue na sexta e aceita duas horas depois pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27.ª Vara Criminal. Itabaiana emitiu mandados de prisão preventiva contra 23 pessoas, das quais 17, além de Eloisa, são consideradas foragidas.

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Na denúncia encaminhada à Justiça, o promotor Luís Otávio Figueira Lopes afirma que Eloisa "inicialmente juntou-se aos demais no exercício de sua atividade, tendo, após, desvirtuado sua conduta e passado a participar ativamente dos atos violentos". "Além disso, escudando-se em um suposto exercício da atividade profissional, presta apoio logístico, inclusive cedendo sua residência para reuniões", diz a denúncia.

A advogada nega as acusações. "Jamais cometi nenhum ato que infringisse a lei, mas estou sendo vítima das forças coercivas do Estado exatamente por defender pessoas que se ergueram e foram às ruas para protestar contra as ilegalidades cometidas por ele. Quem atua na ilegalidade é o Estado", afirma Eloisa, em vídeo divulgado ontem pela Mídia Independente Coletiva (MIC).

À reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, ela negou a acusação de que sua casa seria usada para reuniões da FIP (Frente Independente Popular).

— Nunca teve reunião na minha casa. A FIP e eu temos diferenças políticas, de questionamento ideológico, que já causaram desentendimentos.

As duas pessoas que acompanharam Eloisa foram David Paixão, de 18 anos, que foi adotado pela advogada, e Camila Nascimento, de 19, que seria a namorada dele. Notas de repúdio às prisões no Rio, de entidades como OAB-RJ, Anistia Internacional e Justiça Global, foram entregues como base para o pedido de asilo.

Rejeição e saída

No início da noite, a assessoria da deputada Janira Rocha (PSOL), que acompanhava os ativistas, informou que o governo do Uruguai negou asilo político. Eloisa e seus dois acompanhantes deixaram o prédio do consulado, na praia de Botafogo, por volta das 19h15, no carro oficial da parlamentar, um VW Bora preto, segundo informou o assessor de imprensa de Janira, Ricardo Villa Verde.

— Ela (a deputada) deu uma carona até o bairro de São Conrado e não sabe o que eles fizeram depois.

A deputada não foi localizada pela reportagem.

— Eles desceram de elevador e saíram pela garagem, que fica na frente do prédio. Ninguém fez nada escondido.

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