Viúva diz que tentou reanimar músico após carro ser fuzilado

Segundo o advogado João Tancredo, carro de Evaldo Rosa seguia em baixa velocidade quando foi fuzilado; viúva e filho recebem tratamento psicológico

Músico morreu após carro ser fuzilado por militares do Exército

Músico morreu após carro ser fuzilado por militares do Exército

JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 07.04.2019

A viúva do músico Evaldo dos Santos Rosa, Luciana dos Santos Nogueira, foi ouvida pelo MPM (Ministério Público Militar) no último dia 12 e contou aos promotores que, antes do carro da família ser fuzilado por militares do Exército, o marido havia reduzido a velocidade e a manteve baixa para passar pelos blindados. O caso aconteceu no dia 7 de abril.

Em entrevista ao R7, o advogado João Tancredo, que apoia a família, disse que, no depoimento, Luciana também revelou que chegou a tentar reanimar Rosa, mas ele já estava morto.

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“Quando os bombeiros chegaram, chamados por moradores, eles colocaram o corpo no chão e não deixaram ela se aproximar. Ela disse que queria reanima-lo, porque é técnica de enfermagem, mas eles não deixaram.”

Segundo Tancredo, Luciana segue muito abalada com o que aconteceu. Ela contou em seu depoimento que no local, havia dois blindados do Exército e o marido manteve a velocidade reduzida para passar por eles quando os disparos vieram de lados diferentes.

“Foram disparos pela lateral, pela frente e pela traseira do veículo. Foi nesse momento que as pessoa gritaram que era uma família dentro do carro e o Luciano [catador] correu para socorrer o filho deles”, disse o advogado.

A viúva do músico disse que também foi alvo de deboche dos militares. “Na concepção deles, o carro era de bandidos”.

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Luciana e o filho estão sendo assistidos pela ONG Rio de Paz, que presta apoio psicológico à família.

A ONG também está ajudando a família de Luciano Macedo, o catador que ajudou a socorrer o filho de Evaldo e que também foi atingido por disparos durante a ação. Ele morreu na madrugada de quinta-feira (18) no hospital e seu corpo foi sepultado nesta sexta-feira (19), no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, zona norte do Rio.

A juíza Federal da Justiça Militar Mariana Queiroz Aquino Campos, da 1ª Auditoria Militar do Rio de Janeiro, decretou, no último dia 10, a prisão preventiva (sem prazo estipulado) de nove dos dez militares presos acusados de terem atirado contra o carro do músico.

Em nota, o CML (Comando Militar do Leste) afirmou que o pronunciamento sobre as próximas etapas do processo cabem "exclusivamente à Justiça Militar da União".