Alvorada chega a outubro sem feminicídios em 2026 e aposta em rede de proteção às mulheres
Patrulha Guardiãs da Vida acompanha mulheres com medidas protetivas; sobrevivente relata importância do serviço
Balanço Geral RS|Do R7
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Em meio ao cenário de violência contra a mulher, no Rio Grande do Sul, Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, chegou ao mês de outubro sem registrar feminicídios em 2026. O município aposta no trabalho de prevenção e acompanhamento de vítimas de violência doméstica, realizado pela Guarda Civil Municipal, para evitar novos casos.
Uma das iniciativas é a Patrulha Maria da Penha, denominada Guardiãs da Vida, que acompanha mulheres com medidas protetivas e atua na prevenção de novas agressões. Atualmente, 89 mulheres são assistidas pelo serviço, conforme informações apresentadas na reportagem do Vítor Costa, ao vivo, durante o Balanço Geral, na Record Guaíba.
Sobrevivente da violência
Entre elas está uma mulher de 47 anos que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio após seis anos de violência durante um relacionamento. Para preservar sua identidade, ela será chamada de Ângela.
Em entrevista ao repórter Vítor Costa, Ângela contou que sofreu agressões físicas, psicológicas e verbais. Segundo o relato, o companheiro a impediu de trabalhar, afastou-a dos familiares e passou a controlar sua rotina e seus contatos. "Ele me mantinha no cárcere privado, me tirou do trabalho e me distanciou dos meus familiares", relatou.
A violência chegou ao ponto mais grave quando, segundo a vítima, o agressor colocou uma faca de pão contra seu pescoço. A chegada da filha ao quarto ajudou a interromper a agressão e permitiu que ela escapasse.
Mesmo depois de deixar o relacionamento, Ângela continua convivendo com o medo. O homem está em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica. Ela afirma que ele ainda tenta entrar em contato, por telefone e por intermédio de terceiros. Após receber uma ligação, durante a madrugada, procurou a polícia e registrou uma nova ocorrência. "Eu tenho medo de chegar em casa e ter alguém lá me esperando", desabafou.
Proteção e acompanhamento
O trabalho da Patrulha Guardiãs da Vida, de Alvorada, busca oferecer segurança às mulheres que possuem medidas protetivas. Além do acompanhamento realizado pelas equipes da Guarda Civil Municipal, as vítimas contam com um recurso de emergência: o Botão Lilás, disponível no aplicativo Alvorada Digital, que pode ser acionado em situações de risco.
Para Ângela, a presença das agentes representa uma proteção fundamental diante das ameaças que ainda enfrenta. "Elas salvam vidas! Estão sempre cuidando, protegendo a nós. Então, a gente tem que dar valor a isso", afirmou.
Sequelas da violência
As consequências da violência também permanecem na saúde da sobrevivente. Ela relata que ficou com a mão direita dormente em razão das agressões e enfrenta dificuldades para trabalhar. Apesar do sofrimento, decidiu compartilhar sua história para incentivar outras mulheres a romper o silêncio e procurar ajuda.
"Eu quero dizer para todas as mulheres que não se calem nunca, jamais. Peçam ajuda. Um vizinho, um parente, qualquer pessoa", aconselhou.
O trabalho preventivo de Alvorada ganha destaque em um momento preocupante no Rio Grande do Sul. Segundo os números apresentados no programa, o Estado registrou 60 feminicídios desde o início de 2026, sendo cinco apenas nesta semana.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem procurar a rede de proteção do seu município, registrar ocorrência na Polícia Civil ou ligar para o 180, Central de Atendimento à Mulher. Em emergências, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.















