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Facções criminosas disputam territórios no RS e dificultam avanço do PCC e Comando Vermelho

Grupos gaúchos controlam áreas do tráfico; reportagem especial acompanha operações policiais em Porto Alegre

Balanço Geral RS|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O crime organizado no Rio Grande do Sul é dominado por facções locais, como Bala na Cara e Manos, que controlam territórios sem a influência de grandes grupos nacionais.

  • Uma pesquisa revela que existem entre 15 a 17 grupos criminosos locais, com rivalidades que geram um delicado equilíbrio de poder e potencial para violência.

  • A polícia, especialmente a Brigada Militar, atua intensamente para enfraquecer essas organizações, com foco na apreensão de bens e patrulhas em áreas de risco.

  • O futuro da segurança no estado é incerto, pois as ambições territoriais das facções persistem, podendo desencadear conflitos em caso de desentendimentos.

 

O Rio Grande do Sul apresenta uma característica particular no cenário do crime organizado brasileiro: apesar da atuação de quase 15 facções criminosas, organizações nacionais como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) ainda não estabeleceram, aqui no Estad,o o mesmo domínio territorial observado em outras regiões do país.

Uma reportagem especial do repórter Ricardo Azeredo, no Balanço Geral da Record Guaíba, investigou a atuação desses grupos, os conflitos pelo controle do tráfico de drogas e os fatores que dificultam a expansão das grandes organizações criminosas nacionais em território gaúcho. A equipe também acompanhou operações policiais em comunidades de Porto Alegre consideradas estratégicas na disputa pelo comércio ilegal de entorpecentes.

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O cenário é marcado por um equilíbrio instável entre as facções locais. Assassinatos de lideranças, disputas por pontos de venda de drogas e desentendimentos entre grupos podem desencadear confrontos violentos, com consequências para moradores das comunidades atingidas.

Entre os episódios que demonstram a tensão no sistema penitenciário está a execução de Nego Jackson, apontado como liderança de uma facção da capital. Ele foi morto dentro da Penitenciária de Canoas, em novembro de 2024, por detentos que teriam recebido uma arma transportada por drone para o interior da unidade prisional.

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Segundo a reportagem, a atuação das forças de segurança ajudou a evitar que o episódio desencadeasse uma nova guerra entre facções.

O jornalista, pesquisador e cineasta, Renato Dornelles, explica que diferentes situações podem romper períodos de relativa estabilidade entre os grupos criminosos.

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"Às vezes por uma dívida de uma facção com outra, às vezes é a morte de algum integrante importante na hierarquia de uma dessas facções", afirma.

De acordo com o jornalista e pesquisador, esses episódios podem provocar guerras que, mesmo quando duram pouco tempo, atingem comunidades inteiras.

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Grupos locais disputam o poder no Estado

Entre as principais organizações criminosas gaúchas estão os Bala na Cara, grupo que surgiu na Vila Bom Jesus, em Porto Alegre, e os Manos, que se fortaleceram dentro do sistema penitenciário.

Outras facções, como V7, Abertos e Tauros, também aparecem no mapeamento apresentado pela reportagem. Os grupos mantêm diferentes áreas de influência na capital, na Região Metropolitana e no interior do Estado.

A disputa envolve não apenas os pontos de comercialização de drogas, mas também a manutenção de alianças, o controle de territórios e a influência sobre integrantes que cumprem penas no sistema prisional.

Por que PCC e Comando Vermelho não dominam o RS?

Uma das questões investigadas pela reportagem é o motivo pelo qual as duas grandes facções nacionais ainda não conseguiram estabelecer uma presença territorial dominante no Rio Grande do Sul.

Entre as explicações apresentadas estão a resistência das organizações criminosas locais, os custos humanos e financeiros de uma eventual guerra por territórios e a estrutura de poder já consolidada dentro dos presídios gaúchos.

A localização geográfica do Estado também é apontada como um dos fatores que podem influenciar o interesse das organizações nacionais, considerando as principais rotas do tráfico internacional de drogas.

Isso, porém, não significa ausência de relações comerciais ou de interesse das facções de outros estados no mercado gaúcho. A participação no fornecimento de drogas em grande escala e a possibilidade de expansão continuam sendo motivos de atenção para os investigadores.

Operações policiais reforçam combate às facções em Porto Alegre

Enquanto as organizações criminosas disputam territórios, as forças de segurança intensificam ações de inteligência, investigações financeiras e operações ostensivas em áreas de maior atuação do tráfico.

A reportagem acompanhou equipes do Batalhão de Choque da Brigada Militar durante incursões em diferentes comunidades da capital. Os policiais atuam em grupos numerosos, avançando por ruas, becos e vielas onde a configuração do terreno exige atenção constante.

Uma das operações passou pelo bairro Cascata, na região da Glória. Durante a ação, os policiais realizaram abordagens e revistas em pontos considerados sensíveis.

O trabalho continuou durante a noite, quando a equipe acompanhou uma incursão na Vila Bom Jesus, local de origem da facção Bala na Cara.

Em meio a ruas movimentadas e áreas com pouca iluminação, os policiais percorreram pontos identificados como locais de atuação do tráfico. Durante uma das investidas, dois suspeitos fugiram ao perceber a aproximação das equipes e desapareceram entre as construções.

Além das abordagens, a operação buscou reforçar a presença das forças de segurança nas comunidades.

Combate ao crime também atinge patrimônio das organizações

O enfrentamento às facções não se limita às operações nas ruas. Investigações sobre movimentações financeiras e patrimônio dos grupos criminosos também fazem parte das estratégias para enfraquecer as organizações.

A reportagem destaca ações policiais envolvendo mais de R$ 100 milhões em bens, incluindo imóveis, veículos de luxo e valores em contas bancárias.

O objetivo é atingir a estrutura econômica que sustenta o tráfico de drogas e permite às facções financiar suas atividades.

Risco de expansão mantém autoridades em alerta

Embora o Rio Grande do Sul apresente uma estrutura de organizações criminosas diferente da observada em outras regiões brasileiras, os especialistas alertam que esse cenário não é permanente.

As alianças entre facções, a disputa pelo mercado das drogas e o interesse de organizações de outros estados podem modificar o equilíbrio de forças.

A reportagem especial também levanta uma questão que preocupa investigadores: até quando as facções gaúchas conseguirão manter o controle de seus territórios diante da expansão do crime organizado nacional?

Na continuidade da série, o Balanço Geral vai mostrar como grupos criminosos estão ampliando sua capacidade de armamento e quais organizações podem representar novas ameaças ao Estado.

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