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Facções no RS: armas feitas em impressoras 3D e avanço de grupos nacionais ameaçam equilíbrio do crime

Segundo episódio da série especial mostra como organizações criminosas se armam e disputam poder no Estado

Balanço Geral RS|Do R7

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O Rio Grande do Sul vive um momento de aparente equilíbrio entre as facções criminosas, mas essa estabilidade pode estar ameaçada. Apesar da pressão constante das forças de segurança, as organizações seguem se fortalecendo, investindo em armamentos e buscando ampliar sua influência. Entre as preocupações das autoridades estão a fabricação clandestina de armas com impressoras 3D e a possibilidade de expansão de grandes facções nacionais para o território gaúcho.

No segundo episódio da série especial exibida pelo Balanço Geral, o repórter Ricardo Azeredo investiga como as organizações criminosas se preparam para possíveis disputas e apresenta os alertas de especialistas e autoridades policiais sobre o futuro da segurança pública no Estado.

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Impressoras 3D se tornam alternativa para armar facções

A disputa por territórios depende, entre outros fatores, do poder de fogo das organizações criminosas. Fuzis e submetralhadoras se tornaram símbolos dessa força, mas o contrabando de armamentos envolve custos elevados e riscos de apreensão.

Em uma operação realizada em 17 de setembro, na região de Santa Maria, a polícia encontrou 11 fuzis novos, além de outras armas. Segundo os investigadores, o arsenal seria utilizado em um ataque contra uma facção rival.

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De janeiro a agosto de 2026, a Polícia Civil e a Brigada Militar apreenderam 5.548 armas no Rio Grande do Sul. A estimativa apresentada na reportagem é de que pelo menos 10% sejam fuzis e submetralhadoras.

Diante das dificuldades para obter armamentos, criminosos passaram a investir em uma alternativa: fabricar parte das próprias armas utilizando impressoras 3D.

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Facções já usam impressoras 3D para produzir armas

A reportagem mostra imagens de uma submetralhadora de calibre 9 milímetros produzida em uma estrutura clandestina no Vale do Sinos. Embora a qualidade do equipamento seja questionável, ele é capaz de realizar disparos.

A delegada Samieh Saleh, responsável pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Armas, Munições e Explosivos (Desarme), alerta para o crescimento dessa modalidade de fabricação.

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As impressoras utilizam materiais sintéticos e não produzem todas as peças necessárias para o funcionamento das armas. Componentes metálicos ainda precisam ser obtidos separadamente, muitas vezes no mercado ilegal. Mesmo assim, o processo pode representar uma redução de custos e riscos para as organizações criminosas.

A polícia também identificou métodos improvisados utilizados para testar os armamentos sem chamar a atenção da vizinhança, como disparos realizados em tonéis preparados para abafar o barulho.

Dezessete facções e o risco de uma nova guerra

O fortalecimento dos arsenais levanta uma questão: as facções estão apenas tentando proteger os territórios que já controlam ou se preparando para conquistar novas áreas?

O coronel da reserva André Batista, ex-integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, considera que a existência de 17 facções criminosas no Rio Grande do Sul representa um fator de instabilidade.

Batista inspirou um dos personagens dos filmes Tropa de Elite e participou, também, da autoria do livro que deu origem às produções cinematográficas.

Na avaliação dele, a multiplicidade de grupos pode provocar disputas pelo domínio do tráfico e pela liderança do crime organizado.

Operaçãoes apreendem valores em espécie que pertencem às facções

Outro fator de preocupação é a presença de organizações de atuação nacional, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Segundo a Polícia Civil, essas facções já mantêm alianças comerciais com grupos gaúchos, embora não tenham estabelecido domínio territorial próprio no Estado.

A delegada Vanessa Pitrez, diretora do Gabinete de Inteligência da Polícia Civil, confirma que essas relações entre organizações locais e nacionais não são recentes.

Terceiro Comando Puro pode representar nova ameaça

Uma das preocupações apresentadas na reportagem é a possível expansão do Terceiro Comando Puro (TCP), organização criminosa surgida de dissidências do Comando Vermelho.

O grupo exerce domínio sobre o chamado Complexo de Israel, na zona norte do Rio de Janeiro, e disputa espaço com outras grandes organizações criminosas.

Para André Batista, uma eventual entrada do TCP no Rio Grande do Sul poderia representar um novo fator de desequilíbrio.

O ex-integrante do Bope alerta, especialmente, para a atuação do grupo nas comunidades dominadas, onde, segundo ele, o controle territorial também envolve a imposição de práticas religiosas e restrições à liberdade de culto.

Operações buscam desarticular e enfraquecer facções criminosas

Batista considera possível que a organização tente reproduzir esse modelo em outros estados, inclusive no território gaúcho. Trata-se, porém, de uma avaliação sobre um risco futuro, e não de uma confirmação de que o TCP já tenha se instalado no Rio Grande do Sul.

Polícia defende pacto nacional contra o crime organizado

O trabalho das forças de segurança gaúchas tem contribuído para conter confrontos de maior intensidade. Operações policiais, prisões de lideranças, apreensões de armamentos e investigações sobre lavagem de dinheiro fazem parte da estratégia de enfraquecimento das facções.

Mas as autoridades reconhecem que o equilíbrio atual não representa uma garantia de estabilidade permanente.

O delegado Alencar Carraro, diretor de Investigação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), alerta que uma organização criminosa pode se fortalecer rapidamente e provocar uma nova onda de violência.

Carraro defende a criação de um pacto nacional de enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, mesmo os esforços realizados no Rio Grande do Sul têm alcance limitado sem uma política integrada entre os estados.

A diretora do Gabinete de Inteligência da Polícia Civil, Vanessa Pitrez, reforça a importância de acompanhar a movimentação das facções em outras regiões do país para antecipar possíveis tentativas de expansão.

O delegado Carlos Wendt, diretor-geral do Denarc, destaca que o monitoramento precisa ser permanente, inclusive para impedir que uma organização ocupe o espaço deixado por outra que tenha sido enfraquecida.

Blindados militares já integram estrutura da Brigada Militar

O encerramento da reportagem apresenta uma imagem que simboliza os riscos de uma escalada da violência.

Em áreas dominadas por facções no Rio de Janeiro, operações policiais frequentemente dependem de veículos blindados conhecidos como caveirões.

No Rio Grande do Sul, o Batalhão de Choque da Brigada Militar já conta com três blindados de combate Urutu, doados pelo Exército. Segundo a reportagem, os veículos ainda não precisaram ser utilizados em operações de combate.

blindados Urutu para combater as facções

O desafio das autoridades é justamente evitar que o Estado chegue a um cenário em que equipamentos desse tipo se tornem necessários para o enfrentamento cotidiano das organizações criminosas.

Assista ao segundo episódio da série especial exibida no Balanço Geral, e veja as imagens exclusivas da fabricação clandestina de armas e as entrevistas com especialistas em segurança pública.

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