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Mãe de menino morto em Gravataí deixa prisão após MP afastar acusação de homicídio por omissão

Defesa afirma que Mayana Angelina Rodgers sofria violência doméstica e não tinha condições de proteger o filho

Balanço Geral RS|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mayana Angelina Rodgers, mãe de Oliver, saiu da prisão com medidas restritivas após a Justiça arquivar acusação de homicídio por omissão.
  • A defesa de Mayana alegou que ela sofria violência doméstica extrema, que a impedia de proteger seu filho.
  • A decisão judicial considerou que Mayana não tinha condições de intervir quando Oliver foi agredido fatalmente.
  • O pai de Oliver, Deandre, foi denunciado por homicídio qualificado, e a situação levantou preocupações sobre a proteção a mulheres em contextos de violência.

 

Mayana Angelina Rodgers, mãe do menino Oliver Grayson, de três anos, morto após ser agredido pelo próprio pai, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, deixou a Penitenciária de Guaíba após uma decisão judicial que permitiu que ela responda em liberdade às acusações que ainda enfrenta. A mulher havia sido indiciada pela Polícia Civil por homicídio por omissão, mas o Ministério Público não apresentou denúncia contra ela por esse crime.

Em entrevista à Record Guaíba, a advogada Isabel Cochlar, responsável pela defesa de Mayana, explicou que a decisão do Ministério Público levou em consideração elementos apresentados durante a investigação, especialmente os relatos de violência doméstica que a mulher teria sofrido durante o relacionamento.

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Segundo a defensora, Mayana era submetida a agressões físicas, violência sexual, ameaças psicológicas e controle constante por parte do companheiro, apontado como responsável pela morte da criança.

Defesa relata histórico de violência e ameaças

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De acordo com a advogada, Mayana vivia sob condições de violência extrema. Além de agressões frequentes, ela teria sido impedida de manter contato com familiares nos Estados Unidos e sofria ameaças envolvendo os próprios filhos.

A defensora relatou que o homem utilizava inclusive argumentos religiosos para controlar a mulher, obrigando-a a repetir versículos e escrever declarações de obediência.

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Segundo Isabel, Mayana apresentava cicatrizes pelo corpo e chegou a sofrer ferimentos graves no maxilar em decorrência das agressões.

A advogada também afirmou que o companheiro controlava a alimentação da família e impedia, em determinadas situações, que a mãe demonstrasse afeto pelas crianças.

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Impossibilidade de impedir agressão foi considerada

Um dos pontos centrais apresentados pela defesa foi a impossibilidade de Mayana impedir a agressão que provocou a morte de Oliver.

Conforme a advogada, quando o menino foi espancado, a mãe estava em outro ambiente da residência e não teria conseguido ouvir ou perceber o que acontecia.

A disposição dos cômodos da casa teria sido analisada pelo Ministério Público durante a investigação.

A defesa argumentou que, embora os responsáveis tenham o dever legal de proteger os filhos, Mayana vivia em uma situação de violência que comprometia até mesmo sua capacidade de proteger a própria integridade física.

Segundo Isabel, a apresentação de provas e um depoimento de aproximadamente quatro horas ao Ministério Público contribuíram para que o órgão não apresentasse denúncia por homicídio contra Mayana.

Advogada afirma que mulher era impedida de pedir ajuda

Durante a entrevista, a defensora também explicou por que Mayana não teria procurado as autoridades para denunciar as agressões.

Segundo Isabel, além de não dominar o português e estar distante da família, a mulher era constantemente vigiada pelo companheiro.

A advogada relatou que, quando havia possibilidade de visitas do Conselho Tutelar, o homem ameaçava matar Mayana ou uma das crianças caso ela revelasse a situação vivida pela família.

A defesa sustenta que esse ambiente de ameaças, isolamento e violência dificultava qualquer tentativa de buscar proteção.

Com a saída da penitenciária, Mayana deverá cumprir medidas determinadas pela Justiça, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de recolhimento domiciliar, conforme informado durante a entrevista.

A decisão não representa o encerramento de todas as investigações relacionadas ao caso. A eventual responsabilidade de Mayana por outros fatos envolvendo as crianças ainda depende dos procedimentos judiciais e investigativos correspondentes.

O pai de Oliver, o norte-americano D'Andre Grayson, de 33 anos, apontado como autor das agressões que provocaram a morte do menino, foi denunciado por homicídio qualificado, conforme as informações apresentadas pelo repórter Jônatha Bittencourt.

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